Estado produz 7,12 mil toneladas por ano (Correio da Bahia)

06/10/2006
Estado produz 7,12 mil toneladas por ano

 

A Bahia lidera o ranking dos estados brasileiros produtores de tilápia em estuário (encontro do rio com o mar) e ocupa a quarta posição na captura geral desse peixe típico de água doce, que vem ganhando prestígio no mercado mundial, com uma média de 7,12 mil toneladas por ano. O programa Boapesca, lançado em 2003 pelo governo estadual, através da Bahia Pesca, tem estimulado a produção em cativeiro, sobretudo na região do Baixo Sul, onde estão localizados os projetos pilotos nos municípios de Igrapiúna, Cairu e Taperoá. A capacidade instalada, segundo o diretor-presidente do órgão, Max Stern, já permite chegar a uma produção anual de até 16 mil toneladas.

Este volume, explica, inclui a piscicultura intensiva, com tanques escavados que somam uma área de aproximadamente 220 hectares, e a superintensiva, com tanques-redes ou gaiolas flutuantes. Nos quatro primeiros anos do programa Boapesca, que incentiva todo o segmento de pesca e aquicultura, o governo estadual investiu R$6 milhões. A previsão para 2007, segundo Stern, é aplicar mais R$3 milhões. No Baixo Sul, 60 famílias estão produzindo tilápia.

Outro forte incentivo para o aumento da produtividade da tilápia foi o retorno do financiamento para custeio pelo Banco do Nordeste, suspenso há cerca de quatro anos, para as regiões de Paulo Afonso e Glória. “Com os efeitos desses recursos, a produção da área, que este ano ficará em torno de 1,5 mil toneladas, deve triplicar em 2007”, previu o diretor da Bahia Pesca. O órgão foi decisivo na reativação da linha de crédito, por ter mostrado ao BNB que a inadimplência dos financiamentos anteriores foi praticamente zero e assumido o compromisso de acompanhar o desenvolvimento dos projetos financiados.

Além do aumento da produtividade, com a melhoria das técnicas e capacitação, o Boapesca tem o objetivo de conscientizar a população da região, sobretudo os marisqueiros e pescadores artesanais, para a importância de evitar a pesca predatória, sobretudo com o uso de bombas. “A mudança cultural é fundamental, porque os pescadores e marisqueiros estavam acostumados ao extrativismo desordenado”, pondera Stern.

Exportação - A tilápia tem tido boa aceitação no mercado internacional, principalmente nos Estados Unidos, maior consumidor mundial do produto. A tilápia baiana já começou a chegar à mesa dos americanos, mas ainda em pequena quantidade. “A expectativa é grande em termos de exportação, mas o mercado interno também está remunerando bem os produtores”, frisou Max Stern, argumentando que o preço alto praticado no mercado local deve-se ao alto custo de produção, com a utilização de rações de alto valor nutritivo. A maior dificuldade que os investidores têm encontrado para ampliar o número de projetos, segundo ele, é a demora para liberação da licença ambiental, responsabilidade de órgãos federais.
 
Também com o objetivo de abrir novos mercados no exterior, o Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo) assinou acordo de cooperação técnica com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul (Ides), visando capacitar os produtores da Cooperativa Mista de Marisqueiros, Pescadores e Aquicultores do Baixo Sul para o incremento da produção. Representantes do Ides já participaram de rodadas de negócios com importadores europeus e se preparam para negociar com compradores dos Estados Unidos. (MB)