Aproveite as melhores épocas do ano para o plantio do caju (A Tarde)

09/10/2006

Aproveite as melhores épocas do ano para o plantio do caju

 

O Ministério da Agricultura divulgou portaria que define o zoneamento agrícola de risco climático para a próxima safra do caju. O zoneamento é um estudo que aponta as melhores épocas para o plantio durante o ano. Leva emconta o tipo de solo e condições climáticas de cada município.

De número 163 – de 21 de setembro de 2006 –, este é o segundo zoneamento do caju publicado pelo ministério. Seguindo as datas indicadas pelos técnicos federais, o produtor consegue reduzir eventuais perdas na fase mais sensível das lavouras (o plantio) e torna mais fácil a consecução de crédito oficial e seguro agrícola, de acordo com Ronir Carneiro, coordenador técnico da coordenação-geral de zoneamento Agropecuário doMinistério da Agricultura.

Ronir Carneiro afirma que grande parte dos municípios baianos tem aptidão natural para a cultura do caju, mas que, em muitos casos, a altitude é indevida. "Caju produz melhor em baixas altitudes.

Às vezes, o município tem quase todas as boas condições para essa lavoura, mas não é bom por causa da altitude", exemplifica.

O técnico cita que muitos produtores do Estado passam por problemas com outra cultura – o feijão – por não observar as recomendações do zoneamento. "Acontece de o município não ter condições climáticas para o plantio do feijão, mas os agricultores imaginam que qualquer local é apto. Como conseqüência, a produtividade é baixíssima e há casos em que o produtor chega a perder toda a safra", conta o coordenador do Mapa.

Na região de Barreiras, a produtora Inez de Fátima Gomes possuiuma plantação de caju-anão precoce em uma área de 16 hectares.

Na época de plantio da árvore, em 2000, ela e outros integrantes da Cooperativa dos Fruticultores do Oeste da Bahia (Confrutoeste) contaram com o apoio técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que indicou o zoneamento agrícola para o caju na região.

“De fato, o banco trabalha com dados que assegurem a região como apta à implantação da cultura.

E a Embrapa forneceu informações sobre o plantio, adubação e traços culturais”, conta Inez, que é engenheira agrônoma.

A portaria do zoneamento agrícola ressalta a importância que a plantação de caju vem assumindo no Estado com o aumento da exploração da castanha, "que vem se destacando cada vez mais como artigo de grande interesse no mercado mundial, devido ao seu elevado valor nutritivo".

As condições ótimas para o cultivo do caju são temperaturas entre 22 e 32 centígrados. É preciso muita luminosidade e precipitação acima de 1.200 mm/ano, com no máximo três a quatro meses de estiagem, além da altitude inferior a 600 metros.

Apesar de ser uma planta rústica, o caju não vai bem em solos rasos e argilosos, mas, sim, em solos profundos, areno-argilosos e férteis, de acordo com a portaria federal.

A regulamentação alerta ainda para a necessidade de o produtor não antecipar nem prorrogar a época de plantio indicada para cada município. Diz que “no caso de ocorrer algum evento atípico que impeça o plantio em épocas indicadas, recomenda-se aos produtores não efetivarem a implantação da lavoura nesta safra”.

O zoneamento agrícola começou a ser divulgado a partir de 1996. Durante esse período, as instituições rurais passaram a receber os dados e as tabelas ficam disponíveis pela internet."Esperamos que, ao longo desse tempo, as instituições estejam divulgando o zoneamento entre os produtores. Como é preciso seguir essas normas para conseguir crédito, entendemos que tem havido repasse da informação", acredita.

A Bahia é o quarto maior Estado produtor de caju no Brasil, ficando atrás de Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Os produtores estão mais concentrados na região nordeste, em torno dos municípios de Ribeira do Amparo e Ribeira do Pombal, e outros no oeste, onde a cultura é irrigada. Além do caju, outros cultivares têm melhores épocas para o plantio divulgadas, a exemplo do algodão, arroz de sequeiro, banana, café, caju, mamona, mandioca, milho, soja e sorgo.

A divisão é feita por Estados.

Jair Fernandes de Melo