Legislação não reconhece cogumelo como medicamento (A Tarde)

09/10/2006

Legislação não reconhece cogumelo como medicamento

 

O biólogo Misael Costa acrescenta que de determinadas espécies de cogumelo é possível extrair substâncias para uso em alimentos e medicação e que há legislação específica, que trata de procedimento para o enquadramento dos cogumelos comestíveis em cápsulas, tratados como novo alimento.

A professora Maria Catarina Kasuya, da Universidade Federal da Viçosa, explica que essa categoria é chamada de nutricêutica, classe nova de compostos extraídos do cogumelo consumida na forma de cápsula ou tabletes como suplemento alimentar, e não alimento.

“Remédios” à base de cogumelo ainda não são avalisados pelas autoridades brasileiras, embora sejam reconhecidos em outros países, como o Japão. No Brasil, o médico oncologista Jorge Laerte Gennari pesquisa há quase dez anos os efeitos terapêuticos de princípios ativos do cogumelo. Ele trabalha com 101 pacientes de câncer em observação. Segundo o médico, percebeu-se uma clara elevação do sistema imunológico por meio das células NK (natural killer), matadoras naturais, em português, especializada em matar as células neoplásicas.

Do grupo, 52 pacientes que haviam se submetido a tratamentos convencionais estavam em metástase avançada no órgão primário e ficaram sãos. Mas, quatro a seis anos depois, o câncer reaparaceu em outros órgãos. Jorge Gennari, então, associou o cogumelo ao tratamento de quimioterapia. O resultado, disse, foi a cura completa de 17 pacientes.

A pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Arailde Urben, acrescenta que os medicamentos à base de cogumelo também são recomendados para combater altas taxas de colesterol e glicose.

No caso do câncer, testes apontaram redução de 89% dos tumores em ratos que tiveram farinha de cogumelo na ração. Também, por auxiliar o sistema imunológico, serve no tratamento da Aids, lupus e HPV (vírus do papiloma humano). “Há pessoas que desconhecem ou não confiam no potencial terapêutico do cogumelo, que pode substituir ou ser usado em tratamentos médicos tradicionais”, lamenta Arailde.