Sisal, caprinos e ovinos sustentam assentamento (A Tarde)

09/10/2006

Sisal, caprinos e ovinos sustentam assentamento

 

No assentamento Nova Palmares, município de Conceição do Coité, semiaacute;rido baiano, 102 famílias de agricultores têm na cultura sisaleira uma fonte de sustento. Antes, a maioria vivia de pequenos trabalhos, na época do plantio ou da colheita, em fazendas da região.

“Em Nova Palmares, com a desapropriação da área há sete anos, fomos beneficiados, e cada família recebeu um lote de 60 tarefas para plantio”, diz Gregório Urbano Santana Araújo, 42 anos, presidente da associação dos pequenos produtores do assentamento.

Ele se refere ao projeto de assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que tem beneficiado a região, no Polígono das Secas, também com incentivo à criação de caprinos e ovinos. O rebanho, em Nova Palmares, soma 4.080 cabeças.

Segundo dados da associação, por semana são produzidas 12 toneladas da fibra de sisal, cuja venda faz circular cerca de R$ 11 mil no assentamento, a cada oito dias. “Isso é muito bom, movimenta o comércio local”, diz Gregório Urbano.

“Mudamos nossa vida”, avalia o presidente da associação, informando que no assentamento vivem 700 pessoas.

Entre elas estão Mário Bispo de Oliveira e Israel Bispo dos Santos, que trabalham com o sisal. “É uma lida dura, que exige muita atenção, principalmente na hora do desfibramento, devido a acidentes”, informa Gregório Urbano, lembrando que há 24 máquinas Paraibana sem registro de acidente.

Um outro assentado, Bráulio Carvalho Oliveira, tem 75 cabeças de ovinos e caprinos, 56 tarefas de sisal, duas tarefas de palmas (para alimentação dos animais) e ainda planta mandioca, feijão e milho.

Satisfeito, ele relata que sua vida mudou bastante, em comparação à que tinha antes de se transferir para o assentamento. “Antes, fuitentar a vida em Salvador e trabalhei duro, abrindo valas para uma companhia telefônica, embaixo de sol e chuva. Hoje, posso dizer que sou patrão de mim. Trabalho pesado, mas tenho segurança no amanhã”, disse para A TARDE Rural.

Quase tudo do sisal é aproveitado, relata Gregório Urbano: “Quatro anos depois do plantio, chega o ponto do corte, quando as palmas, cortadas, são desfibradas e, em seguida, colocadas para secar até atingirem o ponto para venda”.

O resíduo (farelo) do desfibrador é processado. “Enterramos, em lonas e, um mês depois, serve de ração para os animais (caprinos e ovinos). Segundo a Embrapa, o farelo é rico em nutrientes e animais alimentados com o pseudocaule do sisal apresentam ganhos de peso diários significativos.

EDUCAÇÃO – Segundo a assessoria de comunicação do Incra, um açude que havia no local, antes da desapropriação, com espelho *d‘água com dois quilômetros de extensão, foi recuperado e se tornou outra fonte de alimento. “Lá tem tilápia, carpa, traíra e tambaqui, mas não pescamos o tempo todo, observando o tempo de crescimento e reprodução, para que o pescado dê para todos”, diz o assentado Antonio Clementino Braz dos Santos.

Em Nova Palmares, em parceria com a Coordenação do Desenvolvimento Agrário, do governo do Estado, e com a prefeitura de Conceição do Coité, o Incra construiu uma escola com seis salas de aula, onde 100 crianças estudam. Outras 120 crianças, filhos de assentados, estudam em Conceição do Coité e Retirolândia.

O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), com o programa de Educação de Jovens e Adultos, mantém uma turma de 35 alunos à noite.

Ari Donato