Projeto prevê certificação para farinha de copioba
Foto: Aurelino Xavier/EBDA
Está em andamento um projeto de registro de Identificação Geográfica (IG) da farinha de mandioca produzida no Vale do Copioba, região de Nazaré das Farinhas. O intuito da ação é preservar a forma de fazer a farinha e estimular os agricultores do Vale a produzi-la, por meio de uma remuneração mais adequada, que deve ser gerada a partir deste registro.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade Federal da Bahia (Ufba) e a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) estão desde o ano passado trabalhando para atestar a especificidade da farinha de copioba, como é conhecida, junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi). Em dois anos a região pode receber a indicação de procedência.
Esta certificação é, basicamente, um direito de propriedade intelectual em âmbito coletivo, que atesta um produto com típico da região. “A indicação atestará a tradição e é o reconhecimento de um saber secular desta região. É um dispositivo interessante para agregar valor econômico”, diz o coordenador de propriedade intelectual da Secretaria de Negócios da Embrapa, Chang Wilches.
Agricultura Familiar
A farinha de copioba é um produto da agricultura familiar com características sensoriais especiais. Seu preço chega a ser quase o dobro de uma farinha de mandioca comum por ser produzida artesanalmente.
O resultado disso é a dificuldade dos produtores de sobreviver da comercialização dela. É o caso de Maurina e Edilson Santana, agricultores do Vale do Rio Copioba Açu, Há dois anos, a farinha era importante fonte de renda da família, que hoje só a produz sob encomenda.
“Para valer a pena temos que vendê-la a R$ 10, porque a fazemos manualmente. Mas não tem comprador. Hoje vivemos praticamente do meu salário de professora”, diz Maurina.
Seu esposo Edilson é a quinta geração de uma família de produtores da farinha de copioba. Ele foi escolhido pelo governo do Estado para receber um selo da agricultura familiar da sua produção. Dentro de um mês sua farinha deve receber o certificado, que permitirá o acesso do agricultor a políticas públicas de incentivo ao consumo desde tipo de produção.
Outro obstáculo para a manutenção da tradição tem sido o desinteresse dos jovens pela atividade. O produtor Josué Andrade, 54 anos, tem na farinha de copioba o seu sustento desde os 8 anos. Há 16 deixou de produzi-la devido a problemas de saúde.
Dos sete filhos, apenas dois quiseram dar seguimento à tradição. “É difícil plantar a roça e esperar um ano para pode recolher. O jovem, se tiver outra alternativa, não vai plantar mandioca”, diz o produtor.
Diferencial do produto
O maior diferencial da farinha do Vale do Copioba é o seu aspecto crocante, explica o pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Joselito Motta. “Ela tem baixa umidade -1% ou 2% enquanto a farinha comum tem 12%”.
Ele conta que a associação entre o nome e a qualidade tem feito com que um falsa farinha copioba venha circulando no mercado. “Eles usam um pigmento, a tartrazina, para imitar o aspecto amarelado da copioba”, diz.