USP quer criar fórum para planejamento estratégico

09/10/2006

USP quer criar fórum para planejamento estratégico

 

O Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial da Fundação Instituto de Administração (Pensa/FIA), da Universidade de São Paulo, está alinhavando os últimos detalhes de um plano para restaurar as rachaduras que dividem a cadeia citrícola.

Conforme Marcos Fava Neves, um dos professores do Pensa que lideram esse trabalho, o objetivo é ampliar uma entidade já existente - a Laranja Brasil, criada para promover o consumo no mercado doméstico - e transformá-la em um grande fórum de planejamento de gestão estratégica para o segmento.

"Talvez seja o pior momento da história da citricultura em termos de relacionamento entre produtores e indústrias. O setor tem um cenário positivo de preços pela frente e é a hora da reconstrução", afirma. Para a criação desse ambiente que reuniria citricultores, empresas e todos os demais elos da cadeia, Neves defende que os R$ 100 milhões que serão pagos pelas indústrias para encerrar o processo que investiga uma suposta cartelização sejam aplicados na "nova" Laranja Brasil.

A entidade atuaria na frente institucional (que incluiria aspectos político-legais da atividade), em inovação, pesquisa e desenvolvimento, na coordenação da cadeia (que envolveria a renegociação de contratos e teria arbitragem própria), em comunicação e nos canais de distribuição (incluindo a frente internacional).

Uma vez estabelecida, explica Neves, a entidade poderia ser sustentada por parte do ICMS recolhido pelas empresas e destinado ao governo, que cuidaria da realocação dos recursos. "Assim funciona com a laranja na Flórida, com o leite na Austrália e com a carne bovina nos EUA, por exemplo. Acho que é a saída para os agronegócios brasileiros em geral", afirma.

Em geral, as grandes indústrias são refratárias a fóruns onde muitos números "estratégicos" têm de ser colocados sobre a mesa de discussões. Mas a idéia não é prontamente descartada. Para Margarete Boteon, do Cepea/Esalq, qualquer aproximação na cadeia citrícola é bem-vinda. Segundo ela, apesar das divergências entre Associtrus e Faesp, que representaram interesses distintos e grupos diferentes de citricultores nas recentes negociações de preços com as indústrias, o fato de ambas teremse articulado e se fortalecido ao longo do processo, por si só, já foi muito positivo.

Para Ademerval Garcia, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), pelo menos no que se refere à pesquisas e inovação é necessário haver mais união. Até recentemente esse trabalho era concentrado no Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido por produtores e empresas - e que ainda corre riscos por conta das rusgas na cadeia -, mas companhias privadas já avançaram na área, que também conta com trabalhos de universidades. (FL)