UE reiteira exigências ao país sobre sanidade
A União Européia exigiu ontem do governo brasileiro a "efetiva implementação" de medidas para cumprir suas regras sanitárias "cada vez mais exigentes" e garantir o ingresso de produtos agropecuários brasileiros no bloco.
Em seu primeiro dia de visita ao país, o comissário de Saúde e Proteção do Consumidor da UE, Markos Kyprianou, cobrou ontem do ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, o cumprimento das "rigorosas exigências" européias em relação a questões sanitárias, de qualidade e segurança alimentar e bem-estar animal.
"Eles serão cada vez mais exigentes em relação aos produtos importados do Brasil", admitiu Guedes após o encontro. Maior cliente do agronegócio brasileiro, a UE absorveu 32,5% das exportações agropecuárias em 2005.
O governo brasileiro reconhece a legitimidade dos requisitos do bloco e promete melhorar seus padrões. "Estamos de acordo que ações têm que ter fundamentos técnicos. [Nosso plano] não é uma declaração para simples apresentação, mas para cumprir [as regras]. O plano está 60% implementado e deve chegar a 100% no primeiro semestre de 2007", afirmou Guedes.
Para continuar a importar, os europeus exigem a ampliação dos investimentos na rede de laboratórios de análise de produtos de origem animal e vegetal. "Mostramos os investimentos de R$ 51 milhões em sete laboratórios em 2005, sobretudo na área animal. Neste ano, vamos investir nos laboratórios da área vegetal de forma similar", prometeu o ministro ao comissário.
Kyprianou reconheceu que os planos de resíduos e de rastreabilidade de bovinos são "de qualidade", segundo Guedes. Mas "chamou a atenção" para a "efetiva implementação" dos planos.
Na tentativa de contornar o constrangimento, Guedes comemorou a formação de um possível comitê permanente Brasil-UE e a aceitação, "a princípio", pelos europeus do critério brasileiro de regionalização sanitária. "Isso vai evitar embargos generalizados ao Brasil", disse. (MZ)