Cargill prevê melhores margens em 2007
Após duas safras consecutivas de piora nas margens, a americana
O reaquecimento da demanda interna e externa por farelo de soja pelas granjas de aves e a perspectiva de aumento da demanda de óleo para biodiesel devem ajudar a sustentar os preços desses produtos em 2007, na avaliação de José Luiz Glaser, diretor do complexo soja da multinacional no país.
"O mercado de farelo tende a ser melhor e os preços do óleo devem subir com a exportação do refinado para biodiesel e a conseqüente redução da oferta no mercado interno, o que já começou a acontecer este ano".
Conforme Glaser, a demanda por grãos e derivados apresentou melhora neste semestre. O ritmo das entregas do grão também se acelerou no período, fazendo com que as indústrias elevassem o uso da capacidade instalada, reduzindo custos de produção. "Com a melhora principalmente na produção de óleo, os custos da indústria de modo geral diminuem".
Para o ano de 2007, Glaser prevê melhora na margem de ganhos com derivados da soja, desde que não haja grandes perdas com problemas climáticos. "Se houver problema de safra, a margem [da indústria] vai para o espaço", diz.
Ele observa que Estados como São Paulo, Goiás e Minas Gerais substituíram a soja por cana em parte das áreas. No Mato Grosso também houve redução devido aos problemas de crédito dos produtores. A área plantada no país está entre 5% e 6% menor na safra 2006/07. "No próximo ano haverá mais briga pela soja dessas regiões, porque é onde as indústrias estão instaladas e não compensa substituir a soja desses Estados pela produzida em outras regiões, devido ao custo de ICMS", afirma Glaser.
Ele diz que, no Centro-Oeste, os preços da soja nas últimas semanas foram comprometidos pela falta de produto e pela interferência do governo com os leilões de Pesoja. Seneri Paludo, analista da
Na bolsa de Chicago, os preços futuros da soja registraram queda ontem, com realização de lucro após a forte alta de sexta-feira. O contrato para janeiro recuou 2 centavos de dólar, para US$ 6,0350 por bushel. O contrato de soja da América do Sul para novembro fechou a US$ 6,60, queda de 10 centavos no dia. Para garantir o suprimento de matéria-prima a preços que considera rentáveis, a Cargill fez a compra antecipada de 75% do volume que pretende negociar na temporada 2006/07 - em torno de 10 milhões de toneladas.
A empresa espera encerrar este ano praticamente com margem zero. A previsão é concluir o ano com faturamento 10% inferior ao de 2005, quando obteve US$ 2,4 bilhões. O resultado deve-se à queda nos preços internacionais da soja, principalmente entre abril e maio, quando houve grande queda na demanda por frangos na Europa e, em conseqüência, redução no consumo de farelo para ração.
Na safra 2005/06, a Cargill manteve o mesmo volume de originação de soja registrado na safra anterior, de cerca de 10 milhões de toneladas. Desse total, o volume esmagado ficou entre 3,7 milhões e 3,8 milhões de toneladas, mesmo patamar de 2004/05. "O volume negociado ficou mais ou menos dentro do esperado, embora a comercialização tenha demorado mais por conta da quebra de safra e da dificuldade de compra no primeiro semestre", afirma Glaser.
Na safra 2005/06, a colheita de soja no país totalizou 53,4 milhões de toneladas, ante previsão inicial de 58,5 milhões, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A perda deveu-se a quebras de safra na Bahia, no Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, onde houve problemas climáticos. Por conta das quebras em Estados que são tradicionais fornecedores de soja, a multinacional não alcançou a sua meta inicial de exportar 6 milhões de toneladas de soja em grão. Na safra 2005/06, a expectativa é encerrar com embarques de 4 milhões de toneladas, ante 5 milhões no ciclo anterior.
Glaser observa que houve boa procura pelo produto, especialmente pela China. "A Argentina esmagou mais soja e, com isso, cresceu a procura pelo grão brasileiro", diz. As exportações brasileiras tiveram ritmo mais acelerado na safra, com embarques superiores a 3 milhões de toneladas por mês entre março e agosto.
A empresa prefere não revelar seus planos de investimento para o próximo ano, mas Glaser diz que avalia parcerias para produzir biodiesel. Em 2006, a empresa fechou 10 dos 140 armazéns que operava por conta de problemas logísticos. "Com o asfaltamento da BR-163, alguns transbordos no Mato Grosso deixaram de ser necessários", afirma o executivo.