Argentina deverá elevar área de soja em 2006/07
A melhora nos preços dos contratos de soja da América do Sul negociados na bolsa de Chicago deverá estimular um aumento na área plantada com a oleaginosa na Argentina. De acordo com estimativa divulgada pela Agência Rural, a área plantada naquele país deve crescer 7% no ciclo 2006/07, que começa a ser plantado em novembro, passando de 15,2 milhões para 16,2 milhões de hectares.
A produção pode crescer dos 40,2 milhões de toneladas obtidas na safra 2005/06, conforme dados da Secretaria de Agricultura argentina, para 42,77 milhões de toneladas, se o país apresentar uma produtividade média de 44 sacas por hectare - média histórica desde 1990. Se alcançada, será uma produção recorde para o país.
O governo argentino ainda não divulgou sua primeira estimativa de plantio de soja para o ciclo 2006/07. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevê para o país uma safra um pouco menor, de 41,3 milhões de toneladas. "A falta de chuvas está atrapalhando o plantio de trigo e milho na Argentina e isso está estimulando o avanço da soja", afirma Fernando Muraro, analista da Agência Rural.
De acordo com Muraro, os preços internacionais estão mais atrativos para os produtores e a expectativa é que a rentabilidade das lavouras fique entre 20% e 30% no próximo ciclo, contra uma média de 20% na temporada 2005/06.
Ele observa que, o contrato da soja para julho de 2007 está cotado em torno de US$ 6,50. Somado a um prêmio de exportação de 10 centavos de dólar, o preço do grão na Argentina chega a US$ 242,50 por tonelada. Descontados os custos, o ganho ao agricultor chega a US$ 137 por tonelada.
"Os principais produtores de soja estão se beneficiando da crise brasileira", avalia. Ele observa que os EUA também elevaram a área de soja em 2006/07, de 28,9 milhões para 29,9 milhões de hectares. Enquanto as lavouras no Brasil devem recuar em torno de 7% (para 20,8 milhões de hectares), o plantio da cultura no mundo cresce 1%, para 93,4 milhões de hectares.
Cibelle Bouças