Ataques da sigatoka-negra são combatidos nos bananais baianos (Diário Oficial)

23/10/2006

Ataques da sigatoka-negra são combatidos nos bananais baianos

 

A Estação Experimental da EBDA no município de Conceição do Almeida realiza a multiplicação e difusão das mudas resistentes à doença, que já atinge plantas em vários estados brasileiros

 

A oferta de variedades resistentes à sigatoka-negra é uma das principais ações desenvolvidas pelo Estado para evitar que a praga chegue às plantações da Bahia, até então zona livre da praga. As mudas são disponibilizadas na Estação Experimental de Mandioca e Fruticultura da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), localizada no município de Conceição do Almeida, a 158 quilômetros de Salvador. Ali funciona a Unidade de Avaliação de Genótipo de Banana, que conta com 18 genótipos diferentes do fruto, 15 deles resistentes à sigatoka-negra.

As mudas resistentes à praga são produzidas em laboratório, onde ficam por aproximadamente cinco meses – é a chamada ‘muda micropropagada’. A EBDA realiza o processo de multiplicação e difusão das mudas, enquanto os produtores escolhem as variedades que mais lhes interessam, levando em conta o sabor, a produtividade e a resistência a pragas.

Constatada em 1998 no Amazonas e depois em outros estados brasileiros, a sigatoka-negra é uma praga que escurece as folhas da bananeira e compromete o fruto, causando uma perda de 70 a 100% da produção. Acometida pela doença, a banana perde a sua qualidade, já que as folhas não conseguem transferir os nutrientes para o cacho.

Causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis, a sigatoka-negra pode ser disseminada através do vento, da água da chuva e do orvalho. "Ainda pode haver disseminação através de caixarias e de caminhões que circulam de um estado para outro. O homem também é um dos transmissores, através de sua roupa", explicou o engenheiro agrônomo da EBDA, Jorge Silveira, coordenador técnico do programa de prevenção à sigatoka-negra e responsável pela unidade.

Ele disse que o objetivo da iniciativa é possibilitar que os produtores de banana possam eleger pelo menos uma variedade resistente e cultivá-la. "Além disso, haverá vantagens ao meio ambiente, pois o produtor que tiver acesso às mudas resistentes não vai precisar usar agrotóxicos para ter um bananal livre de doenças e com uma produção melhor", destacou.

O trabalho da estação experimental da EBDA é realizado em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e com a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).

A fiscalização das barreiras fitossanitárias, através da qual não é permitida a entrada de banana de outros estados, fica por conta da Adab. Como forma de impedir que a sigatoka-negra ingresse na Bahia, está havendo um maior controle em relação às plantas ornamentais que chegam até aqui proveniente de outros estados.

Além de Conceição do Almeida, na região de Cruz das Almas, outras 10 cidades baianas, localizadas nas principais regiões produtoras, contam com unidades de avaliação de genótipo de banana – Barra do Choça (região de Vitória da Conquista), Bom Jesus da Lapa, Barreiras, Juazeiro, Itabuna, Wenceslau Guimarães, Utinga (Itaberaba), Glória (Paulo Afonso), Campo Formoso (Senhor do Bonfim) e Teixeira de Freitas.

Primeiramente, a sigatoka-negra foi constatada no estado do Amazonas, em 1998. De lá, provavelmente através de correntes de água do próprio Rio Amazonas ou por caixarias, sua ocorrência já foi verificada em Rondônia, Acre, Pará, Amapá, Roraima e Mato Grosso. Em 2004, a praga avançou para os estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.