Bahia enfrenta a pior safra dos últimos 20 anos
Os produtores de cebola da região de Juazeiro estão desolados com a última safra, considerada a pior dos últimos 20 anos. Os baixos preços forçaram muitos produtores a descartar parte da colheita.
A situação é tão grave que uma saca de 20 quilos, que chegou a ser vendida por R$ 40 em 2004, está sendo repassada a R$ 1 – ou seja, um quilo por R$ 0,05. No ano passado, a mesma quantidade custava entre R$ 18 e R$ 22.
O presidente da Associação dos Produtores de Cebola do Vale do São Francisco (Aprocesf), Edson Pinto, calcula um prejuízo de R$ 150 mil nos investimentos feitos.
"Na semana passada, deixei 200 toneladas (perecerem) no mato.
Em outras áreas, passei o trator destruindo a lavoura. Eu tinha que reutilizar a terra", conta.
Segundo ele, a situação este ano está fazendo com que cerca de 70% dos produtores de municípios como Casa Nova e Sento Sé deixem a cebola no campo, sem colher. Por falta de linha de crédito direcionada para a cebola, diz ele, os produtores terão de fazer sociedades, tornarem-se empregados ou arrumarem outras parcerias para a próxima safra. "Muitos vendem as propriedades, casa, carro, para arcar com os prejuízos", acrescenta.
O preço final da cebola em Salvador, em setembro, teve uma redução de 16,84% nos supermercados, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), apurado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Semana passada, um quilo estava sendo vendido a preços que variavam de R$ 0,44 e R$ 0,99.
"Essa crise não significa que no ano que vem haja fim do plantio.
Em fevereiro, o povo esquece e está voltando ao que era antes", acredita Edson Pinto.
RAZÕES – O pesquisador Nivaldo Duarte Costa, da unidade SemiÁrido da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), aponta dois motivos para os percalços da cebola na Bahia.
Primeiro: 2006 foi um ano com condições climáticas muito favoráveis para a lavoura da cebola, o que gerou uma colheita farta e de boa qualidade.
Em segundo lugar, o período da colheita coincidiu nas maiores regiões produtoras de São Paulo, Minas Gerais e Nordeste.
A outra grande região produtora de cebola na Bahia, na região de Irecê, também sofreu com a crise.
O preço pago pela saca foi o mesmo em Juazeiro. "Tivemos um excesso de chuva nos meses de colheita e perdemos cerca de 60% da safra", narra o presidente da Associação dos Produtores de Cebola da Microrregião de Irecê (Aprocemi), Ricardo Lordelo. Na região, a semeadura começa entre novembro e janeiro e a colheita é realizada entre abril e junho.
"Deixei 200 toneladas no mato. Em outras áreas, passei o trator, tinha que reutilizar a terra." Edson Pinto, presidente da Aprocesf.
JAIR FERNANDES DE MELO