Estado fortalece a mandiocultura com incentivo aos produtores
Através do programa Nossa Raiz, governo está distribuindo 60 fecularias para 47 associações organizadas
Incrementar a produção de mandioca e derivados com novas áreas plantadas com tecnologia de cultivo. Para isso, o governo da Bahia está fortalecendo a mandiocultura em pequenas propriedades rurais de todo o estado. O apoio se materializa em capacitação dos agricultores e na distribuição de máquinas, insumos e equipamentos para aumentar a produtividade e beneficiar o produto.
Através do programa Nossa Raiz, que atende a 5,4 mil famílias de produtores de mandioca da Bahia, o Estado está distribuindo 60 fecularias (aparelhos processadores) para 47 associações organizadas de municípios do Recôncavo Sul. O kit contém fornos para produção de beiju e uma extratora de fécula com capacidade para moer 3 mil toneladas de raiz por dia, rendendo 50 quilos de fécula diariamente.
Ao lidar com a fécula, o produto mais nobre da mandioca, os agricultores podem ter grandes benefícios. Basta dizer que o processamento da raiz para o surgimento da fécula gera 380% de lucro na comercialização, enquanto o processamento da raiz em farinha leva a um lucro de apenas 15%.
O programa também está entregando aos agricultores adubos, inseticidas e recursos para aragem de área em quantidade equivalente à produção de dois hectares. Uma tonelada das raízes é vendida por R$ 150 (preço regional). Já o quilo do aipim pode ser encontrado por preços que variam de R$ 0,70 a R$ 1, em feiras, e por R$ 2, nos mercados mais sofisticados.
O Nossa Raiz é desenvolvido pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), que disponibiliza um técnico em cada propriedade rural uma vez por semana, em contato direto com o produtor. De acordo com a coordenadora estadual do programa, Sandra Carvalho, existem mais de duas mil variedades de mandioca na Bahia.
Segundo do país
Com 330 mil hectares de área plantada e uma produção média de 4,5 milhões de toneladas de raízes por ano, a Bahia é o segundo maior produtor do país, atrás apenas do Pará, cuja produção é entre 100 mil e 200 mil toneladas a mais do que a da Bahia.
"A produtividade baiana, que gira em torno de 12 toneladas por hectare, é superior à do Pará (10 toneladas por hectare)", explicou Sandra Carvalho. Ela afirmou que a produtividade média nacional é de 18 toneladas por hectare.
Apesar disso, a Bahia é o maior importador de farinha e fécula do Sul do país, principalmente dos estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul. "Aqui, a fécula é retirada apenas para a culinária", comentou Sandra Carvalho.
Novas utilizações
A fécula pode ser usada ainda para a fabricação de tinta e papel e na indústria automotiva. Daí vem a importância da familiarização dos produtores com o processamento da fécula – uma das ações do Nossa Raiz, que atende a 47 municípios baianos (13 do Baixo Sul e 34 do Recôncavo Sul) e cujo investimento é de R$ 10 milhões.
Na Estação Experimental de Mandioca e Fruticultura da EBDA, na cidade de Conceição do Almeida, há 12 hectares plantados de mandioca, com variedades promissoras, indicadas e recomendadas por pesquisas, a serem distribuídas aos produtores.
São seis variedades plantadas no campo de multiplicação e 35 em teste no campo de competição. Há também áreas de multiplicação de materiais em estações experimentais localizadas em outras cidades, como Una, Tancredo Neves, Santo Antônio de Jesus e Utinga.