Chesf aumenta vazão do Lago de Sobradinho (A Tarde)

24/10/2006

Chesf aumenta vazão do Lago de Sobradinho

 

 

Problemas técnicos com duas máquinas da Usina de Paulo Afonso 4, a maior do complexo hidrelétrico, fizeram com que a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) aumentasse a geração na usina de Sobradinho (na região norte) , com defluência (liberação) de 3.063 ml³/s. “Foi repentino e inesperado, mas aconteceu, e precisamos gerar mais para atender os clientes. Estamos dentro da legislação que admite inclusive uma vazão, sem nenhum problema, de até 8 mil ml³/s, afirma o gerente de operações da Chesf, Alexandre Jorge Tavares de Souza.

Segundo Souza, a Chesf avisa a todas as empresas que trabalham com captação, irrigação, prefeituras, associações de pescadores, a todos que têm interesse na alteração.

O gerente de operações afirma que o sistema de vazão faz parte de um programa de produção anual, dividido mensalmente e ajustado a cada semana com estimativas de quantidades de energia que os clientes vão precisar.

Os geradores de energia estão em Sobradinho, Itaparica, no Complexo Paulo Afonso (quatro barragens) e em Xingó. Definimos uma saída de água de Sobradinho (defluência), parâmetros para garantir o rio vivo, chamado de vazão sanitária. Precisamos cobrir essa vazão, associando valores vinculados aos consumos, como o humano, o dos animais e o da geração, quantidade de água necessária para gerar obrigações gerais, como, por exemplo, captação das cidades”, esclarece Souza.

IRRIGAÇÃO – O gerente de operações assegura que a liberação de 2.400 ml³/s é considerada uma vazão regularizada do rio e atende todos os clientes, incluindo produtores que trabalham com irrigação.

Ontem, a vazão foi de 2.300 ml³/s, e o que está programado para esta semana é normal, sabendo-se que a água leva um tempo viajando. Tavares chama atenção de produtores que continuam cultivando produtos muito próximo à calha do rio, o que acaba causando grandes prejuízos que não terão como ser ressarcidos.

O engenheiro informa que, “quando há situações de água invadindo a plantação, normalmente essa pessoa invadiu a área. É preciso entender que só se pode plantar numa distância de 100 metros da calha, que é área de preservação e não pode ter plantio, para que tenha mata ciliar. Ocorre que as pessoas vão fazendo roças cada vez mais para dentro do rio”.

PREJUÍZOS –Apesar de estar a 137 km distante do Lago de Sobradinho, e pelo menos 400 de Paulo Afonso, o agricultor Gilvan Gesuíno dos Santos, 32 anos, estava desolado com o cerca de meio hectare de melancia boiando numa área em que a água do rio invadiu a plantação e fez com ele perdesse 15 mil quilos da fruta.

A área plantada dele está há, pelo menos, 60 metros da margem do rio e, segundo Santos, nunca apareceu ninguém que pudesse passar a informação, “senão eu jamais teria investido e plantado para ter prejuízo, não tem lógica”. O prejuízo de Gilvan foi causado no dia em que a Chesf teve que liberar água depois da quebra das máquinas em Paulo Afonso, causando a perda de meio hectare de melancia dos 2,5 plantados por ele.

A produção seria colhida em 10 dias com a estimativa de 50 toneladas.

Seriam vendidas no Mercado do Produtor de Juazeiro a R$ 0,12 o quilo. “Infelizmente, perdi 15 mil quilos, um prejuízo de R$ 3 mil. Depois de ter gasto R$ 6 mil para plantar, o que eu esperava ganhar perdi”, lamenta o produtor.

 

CRISTINA LAURA