Criadores investem na produção de queijo (A Tarde)

30/10/2006

Criadores investem na produção de queijo

 

O empresário Urbano Souza é dono de um laticínio no município de São Sebastião do Passé, a 58 quilômetros de Salvador. A família começou a criação há mais de 30 anos. O pecuarista prefere não dar os números do próprio rebanho, composto da raça Murrah, mas é considerado um dos maiores bubalinocultores do Estado.

Os números da produção evidenciam o grande porte. Urbano revela que seus animais, em duas propriedades e destinados à produção leiteira, geram mais de 1.400 litros de leite por dia. A venda final é de quase 2 mil litros de leite por dia – ele compra 500 litros de leite de dois criadores parceiros. O empresário também realiza engorda e abate.

"O leite de búfala tem 50% menos colesterol do que o da vaca.
É mais espesso e tem nutrientes mais concentrados do que o da vaca", afirma Urbano. Ele diz que essas especificidades favorecem a produção de derivados como queijos e iogurtes.

O rendimento do leite de búfala na fabricação dos queijos é bem maior que o do leite de vaca, prossegue Urbano. Enquanto se utiliza de 6 a 7 litros de leite de vaca zebu para fabricar um quilo de queijo frescal, é preciso apenas 3 litros de leite de búfala para fazer a mesma quantidade do queijo. "É um excelente negócio", garante.

Os produtos do laticínio industrializados por Urbano (queijos ricota, minas frescal, coalho, muçarela em barra e bola) são vendidos em Salvador, em 210 pontos de entrega, entre restaurantes, bares, pizzarias e s u p e r m e rc a d o s .

Outro tradicional criador baiano é o médico veterinário José Teixeira Filho. Ele é criador há 33 anos e integra o corpo técnico da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos, maior entidade nacional, que realizou há duas semanas o IV Encontro Brasileiro de Criadores de Búfalos, em Porto A l e g re .

Com 200 animais da raça Murrah, no município de Cardeal da Silva, a 153 quilômetros de Salvador, José Filho também produz queijos e vende o couro para confecção de selas e comercializa animais. ”Já vendi búfalos para pequenos produtores da região de São Sebastião do Passé“, conta o veterinário.

Segundo ele, a dificuldade dos criadores hoje é a carência de material genético de boa qualidade para a reprodução. O coordenador do programa estadual do búfalo, Antonio Vicente, afirma que a baixa disponibilidade de material genético, tanto no Brasil, em geral, como na Bahia, em particular, é uma ameaça à melhoria dos rebanhos .