Região oeste aumenta área plantada em 1,7% este ano
Com a chegada das chuvas, começa a definição de área a ser plantada na safra 2006/2007 para a região do cerrado baiano, extremo oeste do Estado. A estimativa é de uma ampliação de 1,7% da área em relação à safra passada, passando de 1.522.007 hectares para 1.547.564 hectares, segundo projeção da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).
A soja, principal cultura, porém, deve sofrer redução na área plantada de 20 mil hectares, caindo de 870 mil para 850 mil hectares.
A redução, de acordo com o consultor de agronegócios Ivanir Maia, vem em razão da descapitalização dos sojicultores.
“Estamos no começo de novembro e muitos produtores ainda não adquiriram insumos por terem problemas de restrição de crédito”, diz Maia, enfatizando que as indústrias ou revendedoras de insumos estão exigentes na identificação do limite de crédito este ano.
O adubo, cita, corresponde a 30% dos custos de produção.
A falta de crédito deve comprometer a produtividade, apesar de a Aiba trabalhar com a projeção de 50 sacas de soja por hectare, em média, enquanto na safra passada a média não passou de 38 sacas.
OUTRAS CULTURAS – O algodão, cultura que permite maior rentabilidade que a da soja, deve apresentar este ano um crescimento de 16,6%. Na safra passada foram plantados 214.443 hectares, para 2006/2007, a estimativa é que serão plantados 250 mil hectares.
Outro aspecto favorável ao algodão é a redução nos custos dos insumos de 20%.
O milho também teve um incremento de área, passando de 126 mil hectares na safra passada para 136 mil na atual. Entretanto, segundo Ivanir Maia, este aumento corresponde mais à necessidade de rotação de culturas do que à expectativa do mercado, “que deve se apresentar bastante problemático, idêntico ao ano passado”.
Em relação às demais culturas, nesta primeira estimativa, a Aiba trabalha com a manutenção das áreas na mesma proporção da safra passada. Essa expectativa leva em consideração que há um atraso no planejamento dos produtores, devido à necessidade da renegociação dos financiamentos da safra anterior.
A previsão do fenômeno El Niño para esta safra é positiva para região do cerrado, pois, historicamente, “os anos de El Niño se mostraram mais chuvosos, e para os produtores significa maior confiança”, afirma Ivanir Maia. Ele acrescenta que as chuvas começaram cedo e deverão terminar cedo também, o que é favorável, principalmente, para o algodão, pois garante maior qualidade da fibra.
MÍRIAM HERMES