Ceará e Rio Grande do Sul, na frente
De acordo com Luiz Antonio Santos, superintendente de energia e comunicações da Secretaria de Infra-Estrutura da Bahia, o potencial eólico do Estado é corresponde à metade do potencial do Rio São Francisco. “É um dos mais promissores do Nordeste. Temos o mapa eólico já elaborado em conjunto com a Companhia de Eletricidade da Bahia (Coelba) e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas ainda faltam alguns sinais do governo federal para que se torne mais atrativa”, justifica.
Segundo o superintendente, a energia eólica não é contemplada com incentivos pelo governo federal para a implantação em série, embora, segundo ele, alguns investidores nacionais e internacionais estejam procurado o Estado para aventar parcerias.
“Acreditamos que a escassez do gás natural, o crescente aumento do preço do petróleo e a escassez de grandes aproveitamentos hidrelétricos vão favorecer o surgimento de políticas mais eficazes, voltadas para energias renováveis”, torce Luiz Antonio.
O engenheiro mecânico Alexandre Pereira, doutor em energia eólica na Dinamarca (país que mais utiliza energia eólica no mundo 20%), participou de medições na Bahia e detectou grandes fluxos de ventos na Chapada Diamantina e no noroeste do Estado, perto de Sobradinho.
Pereira, um dos mais respeitados especialistas brasileiros da área, aponta que o custo da energia elétrica faz a eólica ser uma vantagem, competindo com qualquer nova usina hidrelétrica.
"Não podemos colocar todo o planejamento de desenvolvimento do país em uma única fonte de energia. Do mesmo jeito que pode ter um problema de falta de água nos reservatórios, pode haver no fornecimento de gás e termos essa mesma dificuldade", alerta.
O ideal, conforme defende, é usar a energia eólica o máximo que puder, por ser barata e confiável. "Deixando de recorrer à água para gerar eletricidade, ela fica liberada para ser utilizada para outros fins, como irrigação, abastecimento humano e até na navegação", finaliza.
Há cerca de sete anos três parques estão em operação no Ceará, fornecendo 17,4 megawatts. "Essa quantidade representa 1% da nossa demanda de energia elétrica", cita Adão Linhares Muniz, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica coordenador de Energia e Comunicação da Secretaria de Infra-Estrutura do Ceará, Estado que saiu na dianteira na geração de energia elétrica a partir da força do vento.
Para o ano que vem, Adão Muniz afirma que o Ceará vai avaliar o potencial off shore (no mar) da energia eólica. Dados preliminares indicam potência de 10 a 12 mil megawats na Foz do Rio Acaraú, o equivalente a quatro a cinco vezes o que o Estado precisa e 80% do que a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) produz. "É como se fosse uma Chesf no mar", compara.
No Rio Grande do Sul, dois parques eólicos (Osório e Sangradouro) estão contribuindo para a geração de energia elétrica. De acordo com informações oficiais, a energia eólica de Osório participou com 5,9% da produção estadual no dia 20 de agosto, quando gerou 46,9 megawatts.