Vacinação contra a aftosa exige bom manejo do gado
Experiências realizadas pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Jaboticabal (SP), defendem que há mais benefícios para os animais colocados no tronco de contenção para vacinação, comparado com o uso do brete coletivo.
O brete coletivo é um equipamento em forma de corredor muito usado nos currais na condução de bois, para a vacinação contra febre aftosa, por exemplo, mas pode provocar nervosismo no rebanho.
Ao passar pelo corredor, muitos animais pulam e podem pisotear os mais fracos.
Explicam veterinários que, soltos no brete coletivo, quando da vacinação, há, também, o risco de quebra da agulha, sangramento e refluxo da vacina, por causa dos movimentos constantes do animal.
Daí, defendem que a melhor opção é a vacinação no tronco de contenção do que a lida diária com os animais nos currais.
O estudo paulista aponta que o tronco de contenção reduz a freqüência de respostas aversivas dos animais à ação humana, gerando benefícios, entre os quais, a diminuição do estresse do animal e dos tratadores e a menor probabilidade de acidentes.
“Com o animal contido, o produtor leva menos tempo para vacinar, perde menos doses de vacina e danifica menos equipamentos”, afirma Paulo César Dancieri, diretor da Coimma Balanças e Troncos de Contenção, em Dracena, no interior de São Paulo.
O manejo do gado no tronco de manutenção é feito no mesmo tempo que no brete coletivo, com a vantagem, conclui o Grupo de Estudos em Ecologia e Etologia Animal da Unesp, de ser mais eficiente e mais barato.
ESTUDOS – A pesquisa da Unesp foi realizada em duas etapas, com 1.042 novilhas da raça Nelore, em Tangará da Serra (MT), durante o período de vacinação.
Na primeira etapa, foram utilizadas 602 novilhas com peso médio entre 270 kg e 330 kg para comparação entre as duas modalidades de vacinação, sendo observados os comportamentos específicos “animal que pula sobre o outro”, “animal deitado no brete” e “animal que rola para fugir do brete”, dos quais metade dos lotes recebeu tratamento diferente.
Na segunda etapa, 440 novilhas Nelore com peso variando entre 260 kg e 275 kg foram avaliadas para as variáveis “tempo para realização do serviço”, “doses de vacina perdidas” e “ocorrência de animais deitados”. O resultado da pesquisa aponta benefícios evidentes para a vacinação racional em tronco de contenção. No manejo racional em tronco (MRT), a ocorrência de “animais que deitaram” ficou em 1,1%, enquanto no manejo com brete coletivo (MBC) alcançou 17,2%. Para “doses de vacina perdidas”, a comparação foi de 3,2% para MRT e 11,3% para MBC.
O “tempo médio para vacinação” foi de 9,3 segundos/cabeça no MRT e 10,2 no MBC. As demais variáveis são “animais que pularam”: 0,4% MRT e 11,2% MBC; “animais que subiram em outros”: 0,4% MRT e 11,6% MBC; “sangramento”: 8,1% MRT e 18,3% MBC; “refluxo”: 8,0% MRT e 11,2% MBC; “número de equipamentos danificados”: 0 no MRT e 2 no MBC.
“Os números refletem a importância do tronco de contenção como ferramenta no manejo do rebanho, uma vez que evita o estresse animal, comum nas ocasiões de vacinação e outras atividades em que a contenção é necessária, atendendo aos conceitos de bem-estar animal e colaborando para o desenvolvimento da fazenda e redução nos custos gerais”, avalia Paulo Dancieri.