Produtor adianta plantio para fugir do El Niño
Os produtores de arroz do Sul do País plantaram o grão mais cedo para fugir do El Niño. O fenômeno climático provoca excesso de chuvas naquela região, no verão, o que pode prejudicar a produtividade da lavoura, que estará em fase de desenvolvimento.
Enquanto no ano passado 37% das lavouras já haviam sido semeadas no início de novembro, nesta safra o índice é de 47%, de acordo com levantamento da consultoria Safras & Mercado. No Rio Grande do Sul, maior estado produtor do grão no País, estima-se que metade - de acordo com a consultoria - ou até 70% da área tenha sido cultivada - segundo a Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). "Os produtores ficaram receosos dos efeitos do El Niño", diz Valter Pöetter, presidente da Federarroz.
Segundo Tiago Barata, da Safras & Mercado, se por um lado o El Niño é bom, porque traz água para a lavoura, por outro diminui a ensolação, que afeta na germinação do grão.
O produtor Gilberto Raguzzoni, de Dom Pedrito (RS) já terminou o plantio de arroz, com medo das chuvas do El Niño. Segundo ele, havia a estimativa que o mês passado já teria excesso de precipitações. Por isso, ele começou o cultivo do grão em setembro. "Fiquei com medo de não ter condições de plantio e de, depois, ter problemas na produtividade", afirma. Segundo o meteorologista Paulo Etchitchury, da Somar Meteorologia, explica que o El Nino está em fase de formação e ainda não é evidente o impacto dele. Segundo ele, se o fenômeno já estivesse atuando, se observaria chuvas intensas em outubro, o que não ocorreu. Etchitchury acrescenta que o El Niño estará configurado no verão,
reduzindo os riscos de estiagem em janeiro e fevereiro, mas podendo provocar precipitações acima da média na colheita. As chuvas abaixo da média dos últimos anos reduziu os níveis das barragens no Rio Grande do Sul, provocando queda na área cultivada. Segundo a Safras & Mercado, o plantio no estado será 4,4% e, na média nacional, 1% maior. "Teremos mais um ano com produção abaixo do consumo, que deve favorecer os preços do grão", diz Barata.