Boi gordo ficou caro em dólar e está barato em reais
Os preços do boi gordo em outubro foram os mais altos dos últimos 12 anos em dólares. No entanto, em reais ficaram abaixo da média no período. A taxa de câmbio explica o descompasso. A arroba do boi gordo foi comercializada a US$ 29, quando a média em 12 anos é de US$ 27, enquanto em reais ficou em R$ 62, para uma média no mesmo período de R$ 67 (corrigidos pela inflação), de acordo com a Scot Consultoria. Para o analista Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, o descompasso impede que os preços internos subam e encerrem o ciclo de baixa. "Quando o câmbio está valorizado, o frigorífico tem mais força para impedir a alta no mercado interno porque a matéria-prima fica cara", diz. Paulo Molinari, consultor da Safras & Mercado, acrescenta que os frigoríficos pagam preços compatíveis com o mercado internacional. "As indústrias poderiam desembolsar mais, mas não conseguiriam exportar", diz. Para Rosa, o dólar pode se transformar no grande vilão da pecuária. Segundo ele, se os preços subissem para R$ 70 a arroba, de modo que permitissem rentabilidade, uma vez que os custos variam de R$ 50 a R$ 60 por arroba dependendo do sistema de produção, em dólares ficariam nos patamares dos Estados Unidos: US$ 37 a arroba. "O Brasil perderia competitividade", conclui. Na avaliação do diretor da AgraFNP, José Vicente Ferraz, o câmbio não está se refletindo nas exportações porque o mercado internacional está aquecido, em virtude de uma maior demanda. "No entanto, quando o preço internacional cair, a margem também vai diminuir", afirma. Apenas neste ano, as cotações internacionais ficaram entre 15% e 30% mais altas, dependendo do corte e do tipo - industrializada ou in natura. As cotações que chegaram a R$ 65 a arroba em outubro, estão a R$ 55 a arroba. (Neila Baldi - Gazeta Mercantil)