Conferência Internacional de Agroenergia debate perspectivas e desafios na produção de biocombustíveis no Brasil
O Brasil possui uma condição de liderança natural na área de agroenergia: clima, área agricultável, tecnologia e pesquisa, sem esquecer do pioneirismo de projetos como o Pro-álcool, lançado ainda em 1975, formam a plataforma que deve projetar o país como um dos principais produtores de combustíveis de fonte renovável no mundo. Essa perspectiva torna-se ainda mais acentuada tendo em vista a crescente preocupação com a produção de bioenergia, alternativa para o meio ambiente e para geração de empregos, com o envolvimento de setores de pesquisa, indústria e produção rural.
A consolidação da produção brasileira de biocombustíveis envolve outros reflexos, dentre eles ecológicos, sociais e econômicos no mercado nacional e internacional. “A agroenergia poderá se tornar realmente um novo paradigma para o agronegócio brasileiro, devido ao crescente interesse mundial em buscar fontes renováveis de energia, em substituição às fontes fósseis, como o petróleo.”, analisa Alexandre Strapasson, coordenador-Geral de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Strapasson deve analisar o cenário brasileiro de produção de biocombustíveis na Conferência Internacional de Agroenergia (Conae), que será realizada entre os dias 11 e 13 de dezembro em Londrina, norte do Paraná, com o tema “A Energia de um Futuro bem Presente” e com a presença de renomados especialistas nacionais e internacionais em conferências e painéis sobre a agroenergia.
Esse novo paradigma, citado por Strapasson, deve causar grande impacto na configuração no agronegócio no Brasil, que hoje já representa 35% do PIB nacional. “A agroenergia poderá se transformar em um importante componente da demanda por produtos agrícolas. Isto trará um incentivo muito grande aos produtores que poderão ter mais segurança no fornecimento de longo prazo, além de poderem ter preços mais atraentes para sua produção.”, avalia o coordenador. No entanto, o fortalecimento na produção, comercialização e consumo de biocombustíveis brasileiros exige que alguns desafios sejam superados para não criarem obstáculos à consolidação do país como um dos maiores produtores mundiais. Segundo Alexandre Strapasson, a expansão da produção passa por investimentos governamentais, privados e incentivo às pesquisas.
“O governo deve criar condições para o setor privado investir ainda mais na produção e no desenvolvimento tecnológico da agroenergia. No caso do biodiesel, ainda há muito por se fazer. O programa está apenas começando, mas já há inúmeros avanços, seja pelos estudos da Petrobrás no desenvolvimento do H-Bio, ou pelos esforços da Embrapa na pesquisa de oleaginosas de alto rendimento. Na caso do etanol, é importante aumentar os investimentos na expansão do setor, mas sem intervir no mercado.”, explica Strapasson.
Desafios no Mercado Interno e Externo
Em relação à comercialização no mercado interno e externo, as condições são favoráveis, principalmente devido ao crescimento de consumo do etanol, porém são necessárias estratégias de fomento da demanda. No mercado interno, a venda de carros flex já vem impulsionando a produção: hoje 77% dos veículos leves vendidos no país funcionam a álcool e gasolina e atualmente há obrigatoriedade legal de mistura de álcool anidro à gasolina de 20% à 25%. “O grande desafio da agricultura no Brasil para os próximos anos será conseguir integrar a agricultura de alimentos com a agricultura energética. Tudo indica que teremos condições de atender estas duas demandas plenamente. Precisaremos estar atentos às questões sociais e ambientais, principalmente quanto à expansão da monocultura da cana.”, pontua o coordenador.
“No cenário externo, é fundamental tratar dos desafios para a expansão dos biocombustíveis, especialmente no que se refere à transformação do etanol em uma grande commodity internacional.” Atualmente, Brasil e EUA são disparados os maiores produtores. China, Índia, Austrália e Tailândia, além de alguns países africanos, têm condições de se tornarem grandes produtores.
Hoje, o Brasil está em segundo lugar na lista de países com projetos de carbono no âmbito do MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto), somente atrás da Índia. A maioria desses projetos tem alguma relação com a agroenergia, com destaque para os projetos de co-geração de energia com bagaço da cana-de-açúcar. “O grande desafio será consolidar o mercado de carbono para o período pós -2012, prazo limite para o Protocolo de Quioto. Espera-se que o Brasil continue a ter oportunidades de negócios nesse segmento, em prol do desenvolvimento sustentável global.”, conclui Strapasson.