Laranja mais bonita e sem semente (A Tarde)

13/11/2006

Laranja mais bonita e sem semente

 

Quanto mais próximo da linha do Equador, mais colorida e vistosa ficam a laranja e a tangerina. Assim, pelo fato de a Bahia está mais próxima do Trópico de Capricórnio do que da linha equatorial, é recomendável plantar em áreas de elevadas altitudes, defende o pesquisador da unidade de Mandioca e Fruticultura Tropical da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Orlando Passos.

"O que determina a coloração externa do fruto é a proximidade do Equador. Como não estamos nessa latitude, é preciso buscar áreas com altitude e a Chapada Diamantina está a mais mil metros de altura", diz o pesquisador, que atua com a certificação e a diversificação da citricultura no Nordeste brasileiro, acrescentando que a empresa Bagisa investe na citricultura, em Ibicoara Dois tipos são plantados na região, com bons resultados, na avaliação de Orlando Passos. O híbrido de tangerina Diamantina, que tem coloração intensa e fruto de boa aparência, e a variedade Sincorá, originária da China.

"Devido à monocultura da laranjapêra, perdemos espaço, daí nossa meta de diversificar as variedades de mesa", justifica. Os frutos coloridos, sem sementes, que tenham facilidade de descascar e, obviamente, com bom paladar, são os tipos mais desejados. De acordo com o pesquisador, lojas de Salvador já vendem frutos importados do Uruguai e da Espanha.

O também pesquisador da Embrapa Roberto Pedroso, especialista em citricultura da unidade Clima Temperado, difunde a citricultura sem semente e de melhor qualidade no Sul do País. Quatro variedades de laranja são priorizadas:Navelina, Navelate, Salustiana e Nelate. Da tangerina, as variedades Ukitsu, Clemenules eMarisol, além de dois híbridos de laranja com tangerina, a Ortanique e a Nova.

A produção é de até 40 toneladas por hectare por ano, ou 80 quilos por planta.

"Aqui no Rio Grande do Sul, temos uma área com 500 hectares dessas culturas. O preço final é um pouco mais caro que as outras, mas é acessível a qualquer consumidor.

A rede de supermercados que faz a distribuição trabalha com produtos populares", afirma Roberto Pedroso.

Segundo o pesquisador, em avaliações sensoriais com o público, as pessoas não sabiam diferenciar entre as cultivares quais eram as novas e quais eram as tradicionais.

"Não houve rejeição e as cultivares sem semente foram as preferidas, principalmente pelas crianças de 4 e 5 anos", narra.

O pesquisador Roberto Pedroso recomenda cultivares sem sementes especialmente para os microclimas mais frios. A propagação é feita por enxertia. Onze viveiros no Rio Grande do Sul produzem mudas e a Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas, na Bahia, também possui alguns desses materiais.

JAIR FERNANDES DE MELO