Manga do oeste está sem mercado
Com 1.620 hectares de manga irrigada e produção média de 15 toneladas por hectare, os produtores do oeste da Bahia estão deixando os frutos apodrecerem no pomar, diante dos preços no mercado nacional, que consideram baixos.
De acordo com Ernildo Inácio Lima, produtor do Distrito de Irrigação São Desidério/Barreiras Sul, o preço do quilo caiu, em uma semana, de R$ 0,40 para R$ 0,10 na Ceasa de São Paulo, um dos compradores.
“Não vale a pena colher; o preço só paga a colheita.” Ele considera que o preço ideal seria R$ 0,70, para cobrir os custos.
“Para chegar aos grandes centros, gastamos R$ 0,16 por kg”, disse.
O presidente da Cooperativa de Fruticultores do Oeste da Bahia (Cofrutoeste), Roberto Pieczur, explica que o fator climático em São Paulo, onde fez um frio intenso no inverno, provocou o florescimento das plantas mais cedo. “Normalmente eles começam a colher no final de novembro; este ano, começou foi no final de outubro.” Isso, acrescenta, “reduziu o preço, sem chances de concorrência com a safra paulista, que não é irrigada e tem custo de produção abaixo do nosso”. Também foi negativo para o setor o atraso na floração em Livramento de Nossa Senhora, coincidindo com São Paulo e o oeste da Bahia.
Outra dificuldade apontada é a falta de qualidade da manga regio-nal para exportação. “Para alcançarmos o mercado externo, nossos produtores têm que passar por uma reciclagem, fazer a poda dos pomares e, no mínimo, fazer o monitoramento da mosca-das-frutas”, afirma Roberto Pieczur, acrescentando que também será necessária a implantação do Programa Integrado de Frutas (PIF) da manga no oeste – os pólos de Juazeiro e Petrolina e de Livramento de Nossa Senhora estão em processo de implantação da certificação.
Roberto Pieczur destaca que há cinco anos a cooperativa está lutando por uma indústria de beneficiamento que, além de manga, aproveitará a produção de caju, fruta que historicamente tem se perdido nos pomares, bem como o excedente de goiaba e mamão.
Em Barra, a 350 km de Barreiras, há quatro anos foi construída a Barra Frutas, uma indústria com capacidade de processar 20 mil quilos de fruta por hora. Entretanto, a indústria, construída pelo Distrito Brejos da Barra, através da Codevasf, apenas funcionou por cerca de um mês em regime experimental e foi desativada.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Turismo de Barra, João Rogério de Lima Azevedo Junior, a indústria foi cedida recentemente para uso da prefeitura, que está tentando viabilizar o projeto. “Estamos correndo atrás de empréstimos e de grupos interessados, pois percebemos que uma parceria com a iniciativa privada vai ser a solução”, prevê o secretário.
MÍRIAM HERMES