Afago para médios produtores no segundo mandato
O Programa do presidente reeleito revela um compromisso com a continuidade da ampliação de recursos de crédito rural, diversificando as fontes e com a continuidade do processo de redução das taxas médias de juros.
O governo atual considera o atual nível de 8,75% para a agricultura empresarial uma boa taxa, mas de acordo com o secretario executivo do Programa o custo desses recursos, bem como os prazos podem se adequar melhor à realidade do setor. É idéia do governo, por exemplo, incentivar a captação de recursos externos, inclusive lastreados, por entrega futura de mercadoria a partir do uso de títulos de crédito já criados, bem como incentivar o uso de outros mecanismos de captação já existentes como os contratos futuros e de opções da Bolsa de Mercadorias & Futuros.
Também é proposta priorizar o público do Programa de Geração de Emprego no meio rural -PROGER Rural- na aplicação de recursos controlados, com vistas ao fortalecimento dos médios produtores na geração de empregos (detentores de até 15 módulos rurais, média de 300 hectares).
"Os médios produtores, em termos de rede, são bastante importantes e por isso terão incentivos maiores. Devem ser revistos os níveis de renda para enquadramento e adotadas taxas de juros diferenciadas, de forma a garantir mais créditos e mais incentivos", antecipa Bianchini. A atual administração também quer avançar na simplificação do acesso ao crédito, de forma a dar maior mobilidade aos agricultores nas diferentes faixas de enquadramento.
Na ótica do coordenador do Programa de Alckmin, a taxa de juros aplicada ao crédito rural é adequada, mas um dos grandes problemas da entrada do governo no mercado sempre foi a prioridade na utilização dos recursos, na quantidade necessária e com o timing correto. Buainain observa que às vezes, mais importante que o valor liberado, é o momento em que ele chega ao produtor.
O governo Lula elevou os recursos destinados à agricultura empresarial em 84%, de R$ 37 bilhões na safra 2002/03 para R$ 50 bilhões em 2006/07, enquanto o Programa de governo de Alckmin acenou com uma necessidade de R$ 100 bilhões/ano para garantir tranqüilidade ao Agronegócio.