Mais uma biofábrica fortalece a citricultura baiana
A nova unidade fica no município de Rio Real, maior produtor de citros do estado
Produtores rurais de citros da Bahia contam com mais uma biofábrica, que vai fornecer a chamada borbulha cítrica – um material genético obtido a partir de um pequeno corte (parte da casca) na planta matriz e sadia. Ela foi inaugurada ontem em Rio Real, a 200 quilômetros de Salvador, e tem como objetivo proporcionar aos agricultores familiares a oportunidade de adquirir borbulhas de qualidade genética e com sanidade para o novo sistema de produção de citros.
O município de Rio Real tem 1,8 mil miniprodutores de citros, 50 viveiristas (responsáveis pela criação das mudas de plantas) e 24 mil hectares de áreas plantadas com a cultura. Trata-se do maior produtor de citros do estado. Para o secretário da Agricultura, Pedro Barbosa, que esteve no município para a inauguração, a biofábrica significa mais um passo para uma melhor qualificação da citricultura baiana.
"Estamos sempre ao lado dos agricultores para melhorar a produtividade dos pomares da Bahia, através da subsolagem, calagem e outras técnicas. E agora com a biofábrica de citros, asseguramos a oferta de boas mudas, isentas de vetores de doenças", disse.
Três biofábricas foram implantadas pelo programa Bahia Citros nas principais regiões produtoras. Em setembro foi inaugurada uma em Conceição do Almeida e outra em Alagoinhas, com previsão das três unidades alcançarem, juntas, a produção anual de 1,7 a 1,8 mil borbulhas cítricas.
"O objetivo é garantir material genético de qualidade para os agricultores familiares poderem melhorar sua produção", afirmou o presidente da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Joaquim Santana.
Também estiveram presentes à inauguração em Rio Real o diretor-geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Luciano Figueiredo, e o pesquisador da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Joelício Resende, responsável pelo trabalho que vem sendo realizado para o desenvolvimento da citricultura através do Bahia Citros.
A biofábrica apresenta uma estrutura resistente a ventos fortes para evitar a exposição das mudas durante o processo de produção. A estrutura conta ainda com mureta lateral de concreto, com 30 centímetros de altura, para evitar a entrada de água de chuva.
O coordenador-geral das biofábricas de citros, Jorge Raimundo Silveira, explicou que uma das funções do espaço é evitar a ocorrência de doenças já comuns em São Paulo e que foram detectadas em regiões baianas.
"Preocupado com a sanidade de nossos pomares, o governo da Bahia quer garantir com a biofábrica pomares sadios, com material de qualidade e livre de pragas", destacou Jorge Silveira. Em cada biofábrica haverá 3.724 mudas plantadas, sendo que cada uma fornece cerca de 150 borbulhas por ano. Juntas, as unidades de Rio Real, Conceição do Almeida e Alagoinhas representam um investimento de R$ 80 mil.
O Bahia Citros abrange 26 municípios, beneficiando 4.874 produtores das regiões nordeste, oeste, Litoral Norte, Recôncavo Sul, Chapada Diamantina, Paraguaçu e extremo sul. A principal região produtora é o Litoral Norte, seguida pelo Recôncavo Sul.
As unidades fazem parte das ações do Bahia Citros, desenvolvido pelas secretarias da Agricultura (Seagri) e de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais (Secomp) e coordenado e realizado pela EBDA, com recursos de R$ 8 milhões. O programa tem parceria com a Embrapa, a Adab e a Universidade Federal da Bahia.
Avanços do Bahia Citros
Na inauguração, foi realizado um seminário sobre os avanços do Bahia Citros, com informações sobre a produção de mudas e manejo do solo em pomares cítricos para cerca de 600 agricultores.
Para o viveirista Edvaldo Alves dos Santos, 34 anos, há 15 atuando nesta atividade, a biofábrica vai garantir o acesso mais fácil ao material genético de qualidade. A maioria dos viveiristas de Rio Real comprava suas borbulhas em Cruz das Almas, fator que aumentava o custo de produção. "Agora podemos lucrar mais, porque teremos acesso às borbulhas dentro do nosso município", afirmou.
De acordo com o produtor de mudas de citros Valmir Simões Silva, 45 anos, o programa transformou a citricultura na região. "Além de garantir a assistência técnica, a descompactação do solo que impedia o melhor desenvolvimento das plantas, o Bahia Citros traz com a biofábrica mais um avanço para o aumento da produtividade na região", disse.