Gargalo e clima afetam balança da área no ano
O gargalo logístico nos portos do Nordeste será mais um fator a segurar a expansão das exportações de frutas em 2006, ano em que o clima levou à quebra de safra da maçã e prejudicou as parreiras de uva no primeiro semestre.
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), Moacir Saraiva Fernandes, o volume final de embarques deverá ficar no mesmo patamar de 2005, na casa de 830 mil toneladas, ou um pouco menor. O ganho se limitará aos preços. Ele prevê alta de 5% sobre os US$ 440 milhões obtidos com exportações de 2005, graças a produtos com valor agregado.
Dados do Ibraf mostram que as exportações entre janeiro e outubro deste ano atingiram US$ 344,7 milhões contra US$ 318,8 milhões no mesmo período do ano passado. Em volume, isso representa 617 toneladas contra 630 toneladas no mesmo período de 2005.
A quebra da safra da maçã devido ao mau tempo terá impacto nessa conta. Com a geada deste mês em São Joaquim (SC), a Associação Brasileira de Produtores de Maçã descarta a hipótese de a safra nacional ultrapassar 900 mil toneladas. A manga, que havia sofrido com chuvas e agora é prejudicada pela falta de contêineres, também impactará as exportações. De janeiro a outubro, os embarques recuaram 7,41% frente a 2005. "Além disso, a manga se concentrou no fim de outubro, já que não conseguiram induzir a produção", diz Maurício Ferraz, do Ibraf. "Isso impediu escalonar a produção".
A salvação da lavoura será o melão, cujas variedades nobres está em alta na Europa, e a uva sem sementes. As exportações de melão acumulam este ano alta de 9,06% em volume e 7,96% em preço. Já as exportações da uva até outubro (e antes da logística truncar) acumulava aumento de 25,89% . (BB)