Guzerá, raça em expansão na Bahia
Andrews Pedra Branca O gado guzerá caracterizado pela rusticidade, que lhe permite adaptar-se às condições de criação a pasto que predominam no Brasil, em particular no semiárido nordestino, vem ganhando mais espaço nos campos baianos.
A raça tem origem nas regiões desérticas da Índia com registros de cinco mil anos de existência.
De acordo com o presidente do Núcleo de Criadores de Guzerá da Bahia e Sergipe, Sérgio Menezes, a Bahia é o reduto tradicional do guzerá brasileiro, tendo recebido animais diretamente da Índia ainda na década de 20 do século passado.
"A procedência confere à raça a capacidade de transmissão de suas características a seus produtos, ou seja, a raça guzerá vem contribuindo muito para o melhoramento genético do rebanho, elevando seus índices de produtividade", enfatizou o criador. Segundo ele, na década de 30, por ocasião da formação da raça zebuína indubrasil, formada a partir do cruzamento do guzerá, nelore e gir, o gado de raça pura quase desapareceu do país. "A Bahia foi um dos poucos estados a preservar plantéis puros da raça guzerá. Desses plantéis saíram animais para recuperar a raça em todo o Brasil", disse.
O Núcleo de Criadores de Guzerá da Bahia e Sergipe BA/SE comemorou 10 anos de existência na ExpoFeira deste ano. Conforme o presidente do órgão, hoje existem 40 criadores associados, ocupando todo o território estadual. Ao Núcleo cabe congregar e orientar os criadores, bem como desenvolver atividades que evidenciem as qualidades próprias da raça no que se refere ao potencial da mesma para elevar os índices de produtividade da pecuária estadual e, conseqüentemente, melhorar a sua rentabilidade.
"Independente de ser sócio ou não, o Núcleo presta todas as informações relativas à raça ou à utilização da mesma em projetos pecuários", informou.
A sede do Núcleo fica em Feira de Santana, na Rua Domingos Barbosa, 316, sala 203, na Kalilândia. Para maiores informações, o interessado também pode ligar para o telefone 3223-0609. Sérgio destacou ainda que o guzerá possui uma outra característica fundamental: o fato de ser raça de dupla aptidão, que significa o destino econômico tanto para produção de leite quanto de carne. "Isso a torna extremamente versátil para todos os tipos de exploração pecuária, do pequeno produtor à grande propriedade extensiva, tanto sob a forma de raça pura quanto em cruzamentos para leite ou corte com as demais raças", salientou.
Ex-presidente do Núcleo de Criadores de Guzerá BA/SE, o criador Benício Cunha Cavalcante salientou que o Núcleo teve um papel importante, porque organizou os criadores de gado guzerá e, com isso, contribuiu para um maior desenvolvimento e aproveitamento do gado. "Antes do Núcleo os criadores não costumavam participar de exposições e hoje esta realidade é bem diferente. O Núcleo tem comparecido a várias exposições no interior do estado", disse.
Benício, que também é expresidente da Associação Nacional dos Criadores de Guzerá, afirmou que existem no estado baiano cinco leilões da raça guzerá. "Só em Feira de Santana são realizados dois leilões de gado guzerá e um de embrião por ano", acrescentou.
Ele salientou que os leilões Expofeira deste ano movimentaram R$ 482 mil. "Os leilões da Expofeira tiveram bons resultados, além da incorporação de mais oito criadores ao Núcleo".
Sérgio afirma que no Brasil a raça se encontra hoje em franco processo de expansão, comprovando a sua capacidade de adaptação com o ingresso de novos criadores. "A raça tem respondido positivamente ao processo de melhoramento genético, comprovado nos índices de produtividade que vêm sendo alcançados".
O presidente do Núcleo informou que a raça vem sendo submetida a programas de avaliação genética, como o Programa de Avaliação Genética da Raça Guzerá para Corte (PAGRG) e o Programa Nacional de Melhoramento do Guzerá para Leite.