Nelore importado da Índia fez elite do gado baiano (A Tarde)

28/11/2006

Nelore importado da Índia fez elite do gado baiano

 

A linhagem baiana do gado nelore coloca a Bahia entre os estados brasileiros dedicados ao melhoramento genético desta raça, vocacionada para animais de corte, graças à dedicação e à persistência de diversos criadores, entre os quais os continuadores de Antônio Florisvaldo Tarzan Carneiro Lima (falecido este ano), na região de Feira de Santana, e Joãozito Vieira, em Cícero Dantas e Jeremoabo, dentre outros.

Segundo o consultor Delsique Borges, veterinário especializado em genética de gado de corte, Tarzan deu partida ao seu rebanho, há 35 anos, hoje estimado em três mil matrizes puras, ao adquirir dez vacas e um touro nelore do conhecido criador Arquimar Baleeiro, levando-os para sua propriedade na região sisaleira.

sisal, ele verticalizou o seu criatório ao adquirir animais da linhagem Akasamu-Padhu, do pioneiro Miguel Vita, um dos pecuaristas baianos responsáveis pela importação de nelore da Índia. A importação de gado daquele país registra Delsique foi permitida até 1964, pelo governo brasileiro.

A partir desse momento, Tarzan disseminou a raça por suas fazendas em Valente, Santa Luz, Cansanção, Itiúba, Feira de Santana e Bom Jesus da Lapa.

Em Feira, ele fez da Nova Deli (propriedade situada nas margens da Rio-Bahia Norte) uma vitrine. Ali são realizadas exposições permanentes de animais à venda e dois a três leilões anuais, de um total de 21, nos últimos dez anos.

No mais recente, que aconteceu em setembro último, foram negociados 30 animais de cada. O mais caro custou R$ 200 mil e, por se tratar de um leilão de envergadura nacional, ele saiu para um criador pernambucano. Isso significa que os produtores de genética contribuem fortemente para melhorar o rendimento do rebanho baiano de corte e de outros estados arremata o consultor Delque porque animais desta qualidade são usados na cobertura de vacas comuns ou mestiças, da raça.

Os criadores de nelore e outros pecuaristas estão sempre lembrando a figura de Antônio Florisvaldo Tarzan Carneiro Lima como um apaixonado pelo semiaacute;rido baiano e um empreendedor forte, que ajudou a viabilizar a caatinga através da pecuária. Atualmente, esta missão está entregue ao continuador desse pioneiro, Antônio Tarzan Filho (Toni).