Embrapa dá mais um passo para avançar em EPEs (Valor Econômico)

28/11/2006

Embrapa dá mais um passo para avançar em EPEs

 

 

A estatal Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) deu mais um passo para avançar em seu projeto de se criar empresas de propósito específico (EPEs). O presidente da Embrapa, Sílvio Crestana, apresentou ontem a um grupo de empresários da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) uma proposta que visa à criação de uma empresa de inovação tecnológica nas áreas de agroenergia e também sanidade animal. 


Segundo Crestana, já há grande interesse de empresas estatais, como a BR Distribuidora - braço de distribuição de combustíveis da Petrobras - e a Itaipu Binacional, e de bancos ligados ao governo, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil, em participar da empreitada. 


A parceria entre uma empresa pública de pesquisa com o setor privado está prevista na Lei de Inovação, regulamentada desde 2004, mas ainda sem qualquer projeto concreto neste sentido, afirmou Crestana. Se a nova empresa for criada, a Embrapa poderá ter participação de até 49%. 


Na primeira quinzena do próximo mês de janeiro, o presidente da Embrapa deverá novamente se reunir com empresários que fazem parte do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) para apresentar uma proposta formal nesse sentido. 


Um dos projetos mais promissores, segundo Crestana, é o de agroenergia. Segundo ele, a Embrapa começou a contratar a "primeira leva de pesquisadores" nesta área para avançar em pesquisas sucroalcooleiras e de biodiesel. A nova empresa de inovação tecnológica em agroenergia poderá investir em novas variedades de cana para a produção de álcool e pesquisar os grãos mais adaptáveis para a produção de biodiesel. 


Outra empresa que tem boa demanda nesse sentido é uma companhia voltada para pesquisas na área de sanidade animal. "Temos o caso de febre aftosa e brucelose [doença que afeta o rebanho bovino, caprino e suíno]. Essa empresa pode investir em vacinas", afirmou Crestana. 


Apesar de dar início às discussões, Crestana ainda não tem previsão de quando a primeira empresa de propósito específico possa ser criada. O presidente da Embrapa também não informou quanto seria investido na primeira empresa de agroenergia. 


Crestana também descartou que empecilhos jurídicos emperrem a criação da nova empresa. "A nova empresa teria de autorização do presidente da República, mas não vejo problemas nisso." 

Mônica Scaramuzzo