O café fez Conquista disparar
A introdução da cafeicultura em Vitória da Conquista, hoje o segundo mais importante município do interior baiano, aconteceu precisamente em 1970. O pontapé inicial se deve a determinação de algumas pessoas, pouco lembradas hoje. Dentre elas, Ubirajara Fernandes, então presidente da Coopmac Cooperativa Mista Agropecuária Conquistense, Camilo Callazans, que presidia o Instituto Brasileiro do Café, e José Lima (falecido), gerente do Banco do Brasil na cidade. Desde então, o café se consagrou como o responsável maior pela alavancagem do desenvolvimento e da projeção de Conquista.
Esse fato é reconhecido pelo professor da UESB e atual presidente da Coopmac, Claudionor Dutra Neto, 45, em seu livro Café e Desenvolvimento Sustentável e em entrevista concedida a A TARDE. Ele conta o seguinte: com a implantação da cafeicultura na Bahia, Vitória da Conquista passou a ser representante de uma região composta por 12 municípios produtores, situados no chamado Planalto de Conquista. A região recebeu um parque cafeeiro de 50 mil hectares e investimentos estimados em US$ 2 bilhões, inclusive, em infra-estrutura básica, para produzir 500 mil sacas. Na década de 80 dobrou essa marca e atingiu 1 milhão de sacas.
Diferentemente de hoje, o IBC estava no auge, tocando a política cafeeira com ampla autonomia, protegendo o café e o cafeicultor, tanto na produção quanto na comercialização do produto. Foi assim planejada pelo órgão uma nova política para expandir a cultura no país. Estudos nesse sentido foram providenciados e, em seguida, emissários partiram para as áreas escolhidas com a missão de sensibilizarem produtores em potencial.
O estado campeão da cafeicultura era o Paraná, com uma produção de 20 milhões de sacas. Mas o café paranaense tinha a geada como inimiga e o IBC pensou em levá-lo para outras regiões, onde esse prejudicial fenõmeno não acontecesse, mesmo que fossem em comunidades sem tradição. E os estudos do Instituto apontaram para o Planalto da Conquista, em pleno Nordeste brasileiro, como ideal. São doze municípios, onde vivem mais de meio milhão de pessoas, sujeitas ao processo migratório por falta de oportunidades de trabalho.
região, éramos "a Uberaba baiana". Já em 1930 foi realizado aqui o primeiro evento estadual desse setor, atraindo criadores de Pedra Azul e Governador Valadares, dentre outros municípios mineiros e de estados nordestinos.
Conquista realizava exposições de respeito detalha o presidente da Coopmac. Aqui mesmo onde estamos agora era o local onde funcionava uma estação de monta, para cruzamento de animais.
Ficavam nessa área os touros de raça e os criadores traziam suas vacas para a cruza (ainda não se praticava a inseminação artificial). Isso revela uma preocupação do pecuarista conquistense com a qualidade e a genética dos seus animais. Aquele plante1 era sempre renovado. Seus proprietários traziam outros reprodutores de raça apurada, a fim de substituir os bois negociados.
Mas a pecuária, sustentáculo da economia municipal, revelava o seu lado negativo, concentrando a riqueza em mãos dos fazendeiros, uma minoria naquela sociedade tipicamente rural. Foi quando chegou a Rio-Bahia, na década de 40, proporcionando a Conquista novas oportunidades como pólo de atração. O município saiu do isolamento em que se encontrava, fortaleceu o seu comércio e os negócios no segmento de serviços prosperaram. Passou a ser um centro distribuidor de mercadorias.
O café Depois dessa fase, 30 anos mais tarde, o café chegou a Conquista e a região e mudou tudo. O grande aliado era o IBC, aplicando recursos do governo federal diretamente em infra-estrutura até mesmo estradas na aquisição de mudas, fertilizantes, defensivos e equipamentos. Isso caiu como uma luva para a expansão da cidade e do seu comércio. Conquista se beneficiava do último programa de financiamento a cafeicultura, capitaneado pelo sergipano Camilo Callazans.
Segundo Claudionor, ele gostava de Conquista e por isso privilegiou o município. E acrescenta: os últimos contratos para o café foram assinados aqui, na Fazenda Goiabeiras, do fazendeiro Cristovão Khoury. Mas a boa semente estava plantada e, na década de 80, a região havia implantado 83 mil covas e produzia um milhão de sacas, gerando 80 mil empregos, sendo 30 mil diretos. Com o abandono da política criada para o café, instituída no passado, passamos a produzir apenas 700 mil sacas.
A pecuária Na sua entrevista, Claudionor Neto fala da agropecuária como atividade tradicional de Vitória da Conquista. Na época da introdução da cafeicultura na Mesmo assim, os reflexos da cafeicultura no Planalto da Conquista são visíveis. Não foi apenas o município-pólo quem tirou melhor proveito. Os demais também, inclusive, se for levado em conta que, dos recursos investidos em função do café, 45% permaneceram na própria região, principalmente em Conquista, dividida entre os municípios de Barra do Choca, o maior produtor, Encruzilhada, o segundo, Ribeirão do Largo, Itambé, Caatiba, Planaldo, Poções, Ibicuí, Iguaí e Nova Canaã.