Saindo do papel
Nova planta de celulose da Suzano no extremo sul baiano vai gerar 1,5 mil empregos
A implantação da segunda linha de produção da fábrica de celulose da Suzano no extremo sul da Bahia vai colocar a empresa brasileira entre as dez maiores fabricantes mundiais do setor. Dos mais de US$1,3 bilhão (R$2,8 bilhões) previstos em investimentos, cerca de 80% já foram comprometidos nas obras, que devem ficar prontas até outubro de 2007. Atualmente, cerca de cinco mil operários trabalham na instalação da nova planta industrial, que vai ampliar em até 1,25 milhão de toneladas anuais a produção da unidade, localizada no município de Mucuri. Serão gerados 1,5 mil empregos, sendo que 70% dos novos colaboradores já estão em treinamento.
O diretor do projeto, Ernesto Pousada, destacou que a fábrica baiana vai quase que triplicar a produção de celulose, já que a primeira planta produz atualmente 700 mil toneladas. “A unidade vai possibilitar um incremento de mais de US$500 milhões nas exportações e conseqüentemente no saldo da balança comercial brasileira”, citou.
Para a empresa, a entrada em operação da nova linha ampliará as vantagens competitivas em escala global, um passo importante na concretização da sua estratégia de crescimento. Hoje, a Suzano produz 1,65 milhão de toneladas de papel e celulose por ano, nas suas três fábricas, incluindo as duas localizadas no estado de São Paulo. A unidade de Mucuri, sem a ampliação, representa, segundo Pousada, 40% do faturamento, estimado para 2006 em US$1,4 bilhão. Atualmente, parte da celulose fabricada no extremo sul baiano é aproveitada na própria indústria, na fabricação de 240 mil toneladas anuais de papel. Já a produção da nova linha será toda direcionada para o exterior.
A Suzano utiliza terminais privados, no Espírito Santo, para escoar sua produção para outros continentes. “Ilhéus poderá ser uma alternativa futura, mas hoje não é viável, em função da situação das estradas até o município”, citou Ernesto Pousada. Ele destacou a presença da empresa no estado não apenas através da fábrica, mas também na parceria firmada com fornecedores. Hoje, mais de 320 empresas do sul da Bahia e norte do Espírito Santo estão cadastradas no Projeto Fornecer, uma iniciativa que busca estimular a economia regional, capacitando fornecedores locais.
A empresa também tem realizado investimentos sociais. “Acredito que já ultrapassam uma aplicação de mais de R$35 milhões em ações junto às comunidades”, disse o diretor. A Suzano tem aplicado recursos para melhoria de hospitais, delegacias e treinamento para mão-de-obra da região.
A unidade Mucuri da Suzano Papel e Celulose teve sua origem na Bahia Sul Celulose, empresa criada em 1987, como uma joint-venture entre a Companhia Suzano e a Companhia Vale do Rio Doce. O controle foi adquirido pelo Grupo Suzano em 2001, e em 2004, a Companhia Suzano foi incorporada pela Bahia Sul, surgindo a Suzano Papel e Celulose.
Pedro Carvalho