Mangostão: uma fruta pouco conhecida
O pequeno agricultor Teobaldo Amado Pereira, do município de Valença, no baixo sul da Bahia, plantou um pé de mangostão em seu sítio, mas, quando experimentou a fruta, da primeira safra, não gostou do sabor.
"Cuidei com muito carinho e agora que deu as primeiras frutas eu comi e achei horrível, me deu até vontade de matar o pé", expressou Teobaldo Pereira em carta enviada a A TARDE Rural.
Antes de concretizar o descarte da planta, o agricultor mostrou-se
interessado em detalhes sobre a fruta e as folhas e se servem para fins medicinais. "Talvez, eu mude de idéia", conclui o agricultor.
O pesquisador Gilberto Fraife, da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), em Ilhéus, disse que o mangostão "é utilizado principalmente como fruto fresco" e que a semente deve ser comida após fervida em água.
Acrescenta que o interior do fruto contém tanino, substância utilizada na fabricação de tinturas. A madeira do tronco também é útil. De cor marrom escura, tem sido usada na construção de mobílias. "A sua forma simétrica e a cor brilhante das folhas, com um sistema radicular com poucas raízes laterais colocam-na como opção para paisagismo", diz.
Sobre propriedades medicinais da planta, Gilberto Fraife diz que o pó do córtex seco cozido ajuda na cura de disenteria e diarréia crônica e a infusão das folhas é usada no tratamento de ferimentos. O município de Una tem a maior área com mangostão na Bahia, Estado que, ao lado do Pará, se destaca na produção nacional. Pesquisadores da Ceplac e da Universidade Estadual de Santa Cruz estimam que Una concentre 50 hectares, com aproximadamente 5 mil plantas. Outros municípios baianos que produzem o mangostão são Tancredo Neves, Ituberá, Uruçuca, Nilo Peçanha e Taperoá.
O mangostanzeiro se adapta bem a áreas com clima úmido e quente e a chuvas bem distribuídas durante todo o ano, de acordo os pesquisadores Célio Kersul e Enio Coelho, em artigo publicado na revista Bahia Agrícola (edição de setembro de 2005).
No artigo, eles afirmam que os solos recomendados para o mangostão são pronfundos argilosos, bem drenados e com alto teor de matéria orgânica. Ao crescer, a planta adquire formato de pirâmide e alcança de oito a dez metros de altura, acrescentam.
A germinação acontece de 11 a 15 dias depois da semeadura, que é seguida pelo transplante das mudas sacos plásticos, onde devem permanecer até chegarem à altura de 40 centímetros, o que dura de um ano e meio a dois anos.
Célio Kersul, que é professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), e Enio Coelho Júnior, que atua como extensionista do Centro de Ensino e Extensão Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), acrescentam que o mangostanzeiro começa a dar frutos a partir de quatro anos, quando a planta é enxertada, ou seis anos, se for pé-franco.
Na Bahia, a fruta é colhida no primeiro semestre de cada ano, entre os meses de fevereiro e junho. "Ganhei um pé de magostão, e cuidei com muito carinho, e agora que deu as primeiras frutas, eu comi, e achei horrível" diz Teobaldo Amado, pequeno produtor rural, no município de Valença.