Contrabando de orquídeas no sudoeste baiano
Orquídeas extraídas ilegalmente na Bahia, especialmente nas regiões sudoeste e da Chapada Diamantina, estão sendo contrabandeadas para municípios do Sul e Sudeste do País. Plantas que na fonte é adquirida por R$ 1 a R$ 5 chegam ao consumidor final nos Estados do Sul por até R$ 2 mil. Uma das plantas mais procuradas é a laelia alaorii, em fase de extinção.
A denúncia, feita há anos por orquidófilos, ganha agora o reforço do pesquisador de novas espécies, Edmundo Ferreira Silva, uma das maiores autoridades do assunto no Brasil. Baiano de Itapetinga, Silva fala com a autoridade de quem já descobriu e catalogou mais de 50 espécimes – 16 das quais com a extensão “silvana”, em sua homenagem.
Com mais de 70 mil mudas modificadas geneticamente, Silva é discreto e reservado, mas não consegue ficar calado quando se trata de colheita predatória das orquídeas baianas. “Estão mandando para fora toda a nossa preciosidade”, dispara, listando as variedades mais disputadas e com maior valor no “mercado paralelo”.
BIOPIRATARIA – Todos os meses camihões-báu carregados deixam o território baiano com centenas de plantas “pirateadas”. São as ametistoglossa, schilleriana, cattleya schofieldiana e bromeliáceas.
Silva acredita que tamanho interesse dos chamados “biopiratas” pela flora regional seja crescente tanto pela facilidade na aquisição das plantas, quanto pela diversidade das variedades.
Não há catalogação oficial, mesmo porque, a cada dia uma nova espécie é descoberta, mas ele estima entre três mil e quatro mil somente no Estado da Bahia .
– Alguns orquidófilos, principalmente do Sul do País, pagam para os ‘mateiros’ retirarem plantas aqui na Bahia – assinala Silva O pesquisador acredita que, até mesmo com a fiscalização de órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), por exemplo, seja difícil eliminar a prática por conta de questões sociocultural e de sobrevivência dos nativos. “Geralmente, quem coleta não tem condições de sobreviver de outra maneira, além da falta de informação e educação ambiental”, avalia. O pesquisador também denuncia a dependência dos coletores aos contrabandistas.
– É um sistema que os transformam em dependentes, então os ‘mateiros’ ficam devendo e vendem por valores irrisórios – relata Silva. As plantas podem custar, no local da extração, de R$ 1 a R$ 5. O valor final pode superar a cifra de R$ 2 mil por unidade.
O valor da orquídea é determinado pela forma, padrão, desenho, cor ou tipo da planta. “Se ela difere do padrão convencional passa a ser valorizada", diz o pesquisador.
Por exemplo, uma planta que é comprada por R$ 2 pode chegar a R$ 2 mil ou até mais, dependendo da forma, raridade e das cores.
CUIDADOS
Veja como evitar a extinção das orquídeas Iniciar a sua coleção com hibrídos.
Denunciar queimadas e desmatamentos
Conscientizar orquidófilos sobre a preservação
Em caso de coleta, limitar-se a trazer poucas plantas
Nunca retirar a planta toda, apenas o suficiente (quatro bulbos), deixando fixado no local o restante
Fonte: ACOR – Orquidófilos Conquistenses
JUSCELINO SOUZA