Italiano quer exportar casca de coco para UE

04/12/2006

Italiano quer exportar casca de coco para UE

 

Estabelecido em Salvador há nove anos, o empresário italiano Ivano Bragonzi, dono do Hotel Cocoon, em Jaguaribe, está se preparando para montar o seu segundo empreendimento na cidade. Ele quer investir R$ 4 milhões para processar e exportar para a Europa um produto que os seus hóspedes, e também os soteropolitanos, jogam no lixo: a casca de coco, que, comprimida, está começando a substituir o carvão vegetal nas lareiras do Velho Continente. São os pellets, pequenos resíduos orgânicos comprimidos.

“O Canadá mostrou que esse é um produto viável. É mais barato e evita o desmatamento de árvores”, afirmou ontem Bragonzi, durante o seminário Bioenergia: Oportunidades de Investimento na Bahia, que reuniu, no Hotel Bahia Fiesta, 370 empresários do Brasil e de países da América Latina e da Europa.

Com o maior litoral e o quinto maior território do País, sol e ventos abundantes e uma considerável base agrícola, a Bahia desperta o interesse de investidores estrangeiros interessados em energia limpa, como a solar e a eólica (dos ventos), além dos dejetos bovinos, que podem ser transformados em bioenergia.

Os projetos baianos que pretendem oferecer ao planeta energia alternativa englobam desde a simples transformação de casca de coco em pellets até as badaladas plantas de biodiesel.

Se todos os investimentos previstos se confirmarem do jeito que foram protocolados junto ao governo, até o final de 2008 a Bahia deve estar produzindo 300 milhões de litros por ano de biodiesel, empregando cerca de 2,7 mil pessoas e, principalmente, servindo como fonte de renda para aproximadamente 103 mil pequenos proprietários de terra, conforme as diretrizes oficiais de que a produção seja feita por agricultores familiares.

“Faltava trazer para cá um evento de porte internacional como este”, avalia Roberto Fortuna, coordenador do Prodiesel Bahia, para quem o Estado conta com ótimas possibilidades de brigar no mercado internacional de energia limpa. Segundo o gerente de atendimento a empresas da Promo, Bernardo Costa, os 19 representantes europeus presentes ao seminário tiveram ontem, em média, 10 contatos agendados, cada. Um desses representantes é Philipp Hauser, da Ecosecurities, uma empresa especializada na comercialização dos chamados “créditos de carbono”, o dinheiro que países e empresas supostamente recebem dos países ricos ao desenvolver projetos que auxiliem na redução da emissão de gases poluentes.

“Há possibilidades interessantes na Bahia”, avalia Hauser, para quem as empresas do Pólo Petroquímico e do setor de alimentos podem substituir combustíveis fósseis pela bioenergia em sua produção.

GILSON JORGE