País prepara nova 'rede' de adidos agrícolas (Valor Econômico)

05/12/2006

País prepara nova 'rede' de adidos agrícolas

 

 

Para ter contatos com importadores europeus de carnes, em recente viagem a Bruxelas, o diretor da área econômica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antonio Donizeti Beraldo, teve de recorrer ao adido agrícola da Argentina na capital belga para tudo ser acertado rapidamente. 


Depois dessa experiência, Donizeti reforçou sua convicção sobre a importância de o Brasil, o terceiro maior exportador agrícola do mundo, ter adidos agrícolas nas principais embaixadas. E, nesse sentido, a CNA voltou a pedir ao governo que agilize a criação dessa "rede". Em resposta, o ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, informou à CNA que está em conversações sobre o assunto com a Casa Civil e com o Itamaraty. Segundo fontes do setor, a idéia é criar cinco ou seis adidos agrícolas, de preferência nos EUA, União Européia, Argentina, China e Japão. 


Segundo fonte do Itamaraty, esta idéia está em "fase embrionária". Uma das questões a ser resolvida é a quem o adido estará subordinado, se ao Ministério da Agricultura ou ao embaixador no local. Outra questão é se apenas funcionários da Agricultura poderão ser nomeados para o cargo. 


O Brasil é um dos poucos exportadores agrícolas que não têm adidos específicos para o setor, que exportará quase US$ 50 bilhões em 2006. A Argentina tem adido até na China, em contato com importadores e governo locais para agilizar soluções de eventuais problemas bilaterais. No Brasil, a estratégia ganhou importância tendo em vista o que o agronegócio chama de "campanhas difamatórias", como são qualificadas acusações internacionais vinculando problemas como o trabalho escravo e a destruição ambiental ao aumento das exportações. 

Assis Moreira