Café baiano ganha prêmio nacional
Há pouco mais de 10 anos, por volta de 1995, o produtor de café Nelson Alcântara Xavier Jones deu início à substituição do sistema extrativista por métodos avançados nas plantações da Fazenda Divino Espírito Santo, localizada em uma região com tradicionais roças de cafés, no município de Piatã.
Toda a produção é descascada e despolpada. Depois da colheita seletiva é feita a lavagem dos frutos e separados os grãos das impurezas.
A secagem é feita em terreiros de cimento ou secadores e estufa.
Foi este café, cujo regime de cultivo tem sido passado e repassado de geração em geração, que conquistou o primeiro lugar no 3º Concurso Nacional da Abic de Qualidade de Café, entregue no enceramento do 14º Encontro Nacional da Indústria de Café (Encafé), dia 25, em Guarapari (ES).
O lote de dez sacas de café arábica cereja descascado enviado por Xavier Jones foi arrematado durante o Leilão dos Cafés Finalistas, pelo consórcio “Qualidade Brasil”, formado pelas indústrias Astoria Real, Guidalli e Sobesa, que pagou R$ 4.430 por saca.
Um outro baiano, José Carvalho Soares, de Ibicoara, município também na Chapada Diamantina, ficou em quinto lugar no ranking de classificação, obtendo o segundo melhor preço – R$ 1.011 – pela saca de 69 quilos, na categoria “café natural”.
Conforme divulgação da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o sócio-proprietário da Fazenda Divino Espírito Santo, Michael Freitas de Alcântara, já alimentava expectativas em relação a uma boa classificação no concurso.
“Na primeira edição de 2004, ficamos em 2º lugar”, disse para a Abic (www.abic.com.br).
“Este ano, sabíamos que tínhamos boas chances, graças às condições propícias da região de Piatã de clima e altitude e ao excelente trabalho dos nossos técnicos”, afirmou Alcântara, que divide o prêmio com o sócio Nelson Jones. Este ano, a Fazenda Divino Espírito Santo, que investe em cafés de qualidade há cinco anos, teve uma área plantada de 6 hectares, com uma colheita de 300 sacas.
CRESCIMENTO – Dados sobre a produção baiana de café, divulgados pela Secretaria da Agricultura, sem citar fonte, mostram que o período de 2003/2006 caracteriza-se como um dos mais prósperos para a cafeicultura baiana. Houve recuperação na produção de café, atingindo 2,24 milhões de sacas e a área este ano passou de 142 mil hectares para 159 mil hectares.
Umcrescimento, diz a Secretaria da Agricultura, que veio com o aumento da produtividade. Este ano, a média foi 22 sacas por hectare, das quais, 1.715 mil (76,6%) são da variedade arábica e 524 mil (23,4%), de café robusta. Esta produção, ainda conforme dados oficiais, dá ao Estado da Bahia a 4ª colocação no ranking dos principais Estados produtores.
# 26,2%.
foi a taxa de crescimento da lavoura de café na Bahia em 2006, índice acima do de outras que se destacaram, a exemplo de cacau (com expansão de 0,5%), banana (3,7%) e mamão (4,2%),
segundo a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI/BA).