Muitos cantam e até acreditam no poder afrodisíaco do ovo
No xote Ovo de codorna, de autoria de Severino Ramos, os versos “eu quero um ovo de codorna pra comer / o meu problema ele tem que resolver” falam de um poder afrodisíaco, que muitos acreditam ser verdadeiro. O cantor e compositor nordestino Luiz Gonzaga (1912/1989), um dos que gravaram a canção, nos anos 1980, estava certo de que os poderes funcionam mesmo.
Na opinião da bióloga e médica veterinária Zenilda Franco, da Sociedade Nacional de Agricultura, do Rio de Janeiro (RJ), não há fundamento científico para poderes afrodisíacos atribuídos ao ovo de codorna. “Pode ser que as pessoas façam associação com a grande produtividade da ave (um ovo por dia), ou, então, ao comportamento agressivo do macho, que copula com seis a oito fêmeas em um dia”, disse a médica para A TARDE Rural, por telefone.
O certo é que o ovo de codorna, semelhante ao de galinha e de avestruz, contém ferro, manganês, cobre, fósforo e cálcio, fator PP, ácido pantatênico, piridoxina e vitaminas E, H, A, C e D e, ainda, concentrações de vitaminas B1 e B2. É um complexo vitamínico mineral de elevado índice de digestibilidade e, segundo especialistas, equivale, em calorias, vitaminas e proteínas, a 10 gramas de leite, mas com um conteúdo bem maior de ferro. Ele pode, também, substituir um pequeno bife na alimentação.
Mas, os consumidores devem se preocupar com a contaminação por salmonela, uma bactéria que provoca intoxicação alimentar, que se manifesta através da diarréia e do vômito. A salmonela, que pode estar na ração, contamina as aves, fica alojada na casca do ovo, com risco de ocorrer a contaminação do homem quando a casca for quebrado. Para uma dieta equilibrada, especialistas sugerem o consumo de um a dois ovos por semana e recomendam que seja ingerido cozido, assado ou grelhado.