AmBev investe na produção de guaraná (Gazeta Mercantil)

11/12/2006

AmBev investe na produção de guaraná

 

A Companhia de Bebidas das Américas (AmBev) pretende dobrar a produtividade do guaraná produzido na região de Maués (AM), a cerca de 250 quilômetros de Manaus, por meio do fornecimento de mudas geneticamente modificadas ao produtores locais. A empresa começou a intensificar suas ações no Amazonas - que fornece todo o guaraná que consome - em 2003, com a adesão ao projeto Zona Franca Verde, desenvolvido pelo governo do Estado e que visa a melhorias na região. A companhia vai investir (entre 2003 e 2013) R$ 61 milhões na região de Maués, que responde por 80% do guaraná comprado pela AmBev. Os outros 20% vêm dos municípios de Boa Vista do Ramos, Barreirinha, Urucará e Parintins. Desse total, já foram gastos R$ 23,4 milhões. Parte desse montante é investida na Fazenda Santa Helena, de 1,7 mil hectares, maior banco genético de guaraná do mundo, que desde 2003 doou 210 mil mudas a cerca de 200 produtores locais. Segundo o gerente fabril da filial Maués da AmBev, Luciano Renato Horn, a média de produtividade de guaraná no Amazonas atinge 350 quilos por hectare, uma das mais baixas do País. A meta é o patamar de produtividade da Bahia, que lidera esse ranking, com cerca de 800 quilos por hectare. A produtividade é baixa porque não existe monocultura de guaraná no Estado, como na Bahia e Mato Grosso, os dois maiores fabricantes da fruta. "A cultura aqui é mais extrativista, os produtores plantam guaraná junto com mandioca, açaí, pupunha, cupuaçu." A estratégia da empresa é desenvolver mudas geneticamente modificadas para extrair o máximo possível de produtividade dessas pequenas plantações. Porte, produtividade, resistência às doenças e maior teor de cafeína são as características levadas em conta na escolha do melhor clone, informou a engenheira agrônoma da Fazenda Santa Helena, Miriam Frota, ressaltando que leva de 15 a 20 anos para desenvolver um clone perfeito. Como resultado, a empresa já começa a obter plantas que dão frutos com dois anos, sendo que o normal são quatro, observou Horn. A empresa criou 12 pólos agrícolas de produção de guaraná em Maués, cada um com um técnico agrícola, treinado pelos agrônomos da AmBev, que também desenvolveu um projeto de meliponicultura, com a distribuição de colméias - a abelha é o principal agente polinizador do guaraná. A AmBev vai comprar toda a produção de guaraná disponível em Maués (AM) nesta colheita, que acontece de novembro a fevereiro e é estimada em 290 toneladas de grãos, volume 76% superior as 165 toneladas adquiridas em 2005. A empresa informou que esse aumento das compras faz parte de uma política interna de formação de estoques. Entretanto, Horn disse que existe mercado para aumentar a produção de guaraná. O gerente de promoções ao consumidor do Guaraná Antarctica, Sergio Esteves, disse que desde novembro, início da estratégia de baixar os preços por meio de promoções e de reforçar as ações de marketing, as vendas de refrigerantes cresceram 20% sobre o mesmo período do ano passado, com destaque para Soda e Sukita. Distribuído em cerca de 1 milhão de pontos de venda, o guaraná Antarctica possui 33% de participação de mercado em guaranás, segundo dados de setembro da ACNielsen. As vendas de refrigerantes, não-alcoólicos e não-carbonatados (RefrigeNanc), que abrangem os refrigerantes Pepsi, Guaraná Antarctica, Soda, Sukita e Água Tônica, além do isotônico Gatorade, os chás Lipton e a água Fratelli Vita, aumentaram 10,4% e somaram 5,2 milhões de hectolitros no terceiro trimestre. Em 2005, cresceram 6% sobre 2004 e alcançaram 19,108 milhões. A AmBev pagará pela colheita R$ 9,33 o quilo dos grãos, usados na produção do Guaraná Antarctica, Guaraná Zon e Baré, líder absoluto de vendas da Amazônia. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) determinou o preço de R$ 5,65 o quilo. (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Gustavo Viana - O jornalista viajou a convite da AmBev)