Trigo deverá ter maior preço de sua história até maio de 2007

13/12/2006

Trigo deverá ter maior preço de sua história até maio de 2007

 

O trigo poderá alcançar, até maio do ano que vem, os preços mais altos desde 1996, quando as cotações do cereal chegaram a US$ 6,7 por bushel e alcançaram o pico histórico. Um levantamento da Safras & Mercado mostra que o trigo pode bater seu recorde histórico no início do próximo ano. De dezembro a maio de 2007, durante a entressafra do cereal no Hemisfério Sul, há uma alta de preços natural do grão no mundo. "Quando estávamos em dezembro de 1995 o preço era de US$ 5,05 por bushel. A cotação subiu para US$ 6,7 por bushel em maio do outro ano devido ao consumo maior que a produção. Este mês já tivemos pico de US$ 5,2 por bushel e o cenário é bem mais grave. Devemos superar o recorde de 1996", diz o analista da Safras & Mercado, Élcio Bento. Desde 1996, o consumo do cereal cresceu mais que a produção, a relação de quanto o estoque mundial pode suprir a demanda anual caiu e, por fim, agora, o mundo aguarda a neve baixar nas lavouras chinesas para confirmar uma quebra de safra de até 10 milhões de toneladas, já prevista pelo mercado. Além disso, a China anunciou já ter diminuído seus estoques desde o mês passado em mais de 1 milhão de toneladas para segurar o preço interno. Segundo Bento, em 1996 havia uma produção de 536 milhões de toneladas para um consumo de 550 milhões de toneladas. Os estoques mundial naquela ano eram de 103,1 milhões de toneladas do grão. Neste ano há um consumo de 615 milhões de toneladas e uma produção de 586 milhões. Embora a safra tenha crescido, em 1996 os estoques conseguiam suprir 19% da demanda mundial em um ano. Na atual temporada, os estoques atendem a menos que 15% do consumo mundial, segundo dados são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). Além disso, o relatório deste departamento, a ser divulgado nesta semana, deve trazer o real tamanho da quebra de safra na China. Atualmente, as lavouras de inverno tanto dos Estados Unidos quanto da China estão total ou parcialmente cobertos por neve. " Entre janeiro e fevereiro esta neve deve baixar. Então será possível mensurar o tamanho da quebra da safra de trigo na China. Caso esta diminuição de safra chegue aos 10 milhões de toneladas já especulada pelo mercado teremos uma redução na mesma proporção da previsão de produção para o próximo ano", diz o analistas da Safras & Mercado. Segundo Bento, este fato terá forte efeito de alta no mercado. "E um dos índices ao qual o mercado ficará mais atento é o da relação estoque e consumo, que com esta diminuição de estoques recentes na China ficará ainda mais prejudicado", completa o analista. No Brasil, o moinho Manuel Dias Branco, um dos maiores do País, e também um dos líderes na produção de massas e biscoitos no mercado interno, já prevê uma necessidade de repasse de custos a partir de maio do ano que vem. Segundo o vice-presidente de Investimentos e Controladoria da empresa, Geraldo Luciano Mattos, caso os preços sigam em escalada no início do próximo ano, será preciso um novo reajuste nos primeiros meses. Segundo o executivo, as altas no preço do trigo na Bolsa de Chicago impactam diretamente no preço dos produtos. (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 12)(Juan Velásquez)