Município brasileiro que mais cresce é da Bahia
Criado há seis anos, como desmembramento de um distrito de Barreiras, o município de Luís Eduardo Magalhães é o que mais cresce entre as cidades brasileiras surgidas após 2000. Um relatório divulgado ontem pelo IBGE indica que o PIB do município representa 0,06% de toda a riqueza nacional. Os dados são de 2004.
A pesquisa ratifica ainda Camaçari como a maior economia do Nordeste, seguida, na ordem, por Fortaleza, Recife, Salvador e São Francisco do Conde, mantendo a classificação do ranking divulgado no ano passado. Essa última cidade, aliás, segue com o maior PIB per capita do Brasil (R$ 315.208,07). “Camaçari, Salvador e São Francisco do Conde respondem por 45% do PIB baiano“, calcula o chefe do setor de informações do IBGE na Bahia, Joílson Rodr igues.
“A atividade econômica ainda é muito concentrada na Região Metropolitana de Salvador, mas a pesquisa mostra que houve um crescimento maior de outros pólos“, aponta Edmundo Figueirôa, diretor de Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Ele ressalta que se em cinco anos o PIB da RMS cresceu de 51,48% da riqueza baiana, quando se levam em conta os 20 municípios mais ricos do Estado a concentração subiu de 61,22% do PIB em 1999 para 69,67% em 2004. “Tem Catu com a exploração de petróleo, Mucuri com celulose e Ilhéus, com o pólo de informática e uma ligeira retomada da lavoura cacaueira“, assinala Figueirôa.
MAIS RICOS A lista dos 20 municípios mais ricos do Estado inclui ainda o caçula Luís Eduardo Magalhães, que em cinco anos passou de 13º para o 10º lugar no ranking. O antigo (e próspero) distrito de Mimoso do Oeste foi desmembrado de Barreiras em 2000, emancipado e batizado com o nome do filho do senador Antonio CarlosMagalhães, morto em 1998. “Há 20 anos, a região de Luís Eduardo era apenas um posto de gasolina“, lembra o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Humberto Santa Cruz Filho.
Com mais de 1,5 milhão de hectares em pleno cerrado, uma estação chuvosa constante, que vai de outubro a abril, e sol à vontade, o município se beneficiou da concentração de investimentos industriais para alcançar um crescimento mais rápido do que os vizinhos, como São Desidério e Barreiras.Duas grandes esmagadoras de grãos, as multinacionais Cargill e Bunge, se instalaram na jovem cidade, cujo carro-chefe da economia é a soja, mas que também se destaca na produção de café, algodão, milho e frutas irrigadas.
O antigo “posto de gasolina“ tem atualmente, segundo o IBGE, uma população de pouco mais de 22 mil habitantes. Pelos cálculos da prefeitura e da Aiba, esse número é superior a 40 mil.
CANA-DE-AÇÚCAR Para manter o nível de desenvolvimento, a próxima aposta do município que mais cresce entre as jovens cidades do País é a cana-de-açúcar.
Assim como de toda a região.
“A Bahia importa cerca de 80% do açúcar e do álcool que consome“, declarou Santa Cruz Filho, ao justificar a nova aposta dos agricultores.
A escolha das mudas mais adequadas à região está a cargo da Fundação de Apoio a Pesquisa e Desenvolvimento do Oeste da Bahia (Fundação BA), uma entidade criada em 1997, quando Luís Eduardo Magalhães ainda era Mimoso do Oeste, e que conta com uma vasta equipe técnica encarregada de aprimorar o cultivo dos principais produtos agrícolas da região.
A fundação conta, entre seus mantenedores, com instituições oficiais como o Banco do Nordeste e a Embrapa, além de gigantes do setor privado, como a Bayer, Basf e Dupont, além da própria Aiba. “O crescimento do setor agrícola foi bom, mesmo com o câmbio desfavorável dos últimos anos“, afirma Santa Cruz Filho.
Mas nem tudo são flores. A falta de investimentos em infra-estrutura no oeste baiano ajudou a semear entre os agricultores, locais, em grande parte oriundos do Sul do País, o desejo de criação de um Estado independente na outra margem do Rio São Francisco.
A idéia chegou a figurar nos planos do ex-secretário de Comunicação do Governo Lula, Luiz Gushiken. “Sempre que surge essa conversa, no fundo o que se está querendo é exigir uma melhor infra-estrutura. Seja na Bahia ou em outro Estado“, ponderou o presidente da Aiba.
Entre as reivindicações da associação figuram o acesso fácil a um porto e o melhoramento da malha ferroviária.