Perdigão quer comprar empresa no exterior
Plano de internacionalização prevê a aquisição de uma processadora de aves na Europa ou Ásia no ano que vem
A Perdigão pretende fazer a sua primeira aquisição fora do País no ano que vem e estrear no seleto grupo de empresas brasileiras internacionalizadas. A companhia planeja comprar uma fábrica para processar carnes de aves no exterior. 'Queremos ficar perto dos nossos clientes', afirma o presidente, Nildemar Secches.
Entre as regiões avaliadas para a aquisição, estão países da Europa e da Ásia. Hoje, a Perdigão já tem um centro de distribuição na Holanda que atende a 300 clientes.
'A Perdigão tem um plano de internacionalização para 2007', diz o vice-presidente de Finanças, Administração e Relações com Investidores, Wang Wei Chang. Ele conta que já foi contratado um banco para prospectar as oportunidades de negócio. A intenção é desembolsar entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões pela nova unidade.
Os recursos são provenientes de uma captação de R$ 800 milhões feita recentemente pela empresa. Secches explica que outra parcela desse capital será usada para construir um frigorífico de bovinos em Goiás com capacidade de abate de 1,8 mil cabeças diárias, voltado para exportação. A empresa também planeja aplicar uma fatia dos recursos numa fábrica de margarinas e outra de lácteos, esta última no Nordeste.
GRIPE AVIÁRIA
Além da proximidade com o cliente, abrir uma unidade para o processamento de aves no exterior atende a outros objetivos. Um deles é o desenvolvimento de produtos feitos sob medida para o consumidor local. Também é uma saída para fugir de problemas sanitários, como a gripe aviária, já que não existem restrições às importações de carne de aves cozidas, diz Chang.
A gripe aviária foi a pedra no caminho da companhia neste ano: reduziu em dez pontos porcentuais, de 57% em 2005 para 47% em 2006, a participação das exportações na receita total da empresa.
Chang conta que muitos clientes estrangeiros se estocaram na virada de 2005 para 2006. Daí começou a crise da gripe aviária que derrubou as exportações. Resultado: a companhia fechou o segundo trimestre deste ano com o pior resultado da história.
Na análise do vice - presidente, a situação começou a melhorar no terceiro trimestre, quando a empresa acumulou lucro de R$ 5,5 milhões, ainda irrisório quando comparado aos R$ 252 milhões do mesmo período de 2005. 'Neste ano, o lucro virá do quarto trimestre', prevê Chang.
De acordo com o presidente da companhia, o faturamento bruto consolidado deste ano deverá atingir R$ 6,1 bilhões, com crescimento de 3,3% ante 2005. Em volumes, a companhia fecha 2006 com crescimento de 7%, sustentado pelo mercado doméstico, já que as exportações repetiram o desempenho de 2005. Secches destaca que o primeiro semestre deste ano foi o pior da história da empresa. Com isso, a taxa média de crescimento nos volumes, que era de 14% ao ano, caiu pela metade em 2006.
'Estamos otimistas para 2007', diz Secches. Ele prevê crescimento acima de 10% para o ano que vem, com o Produto Interno Bruto (PIB) avançando 3,2% e o dólar cotado a R$ 2,20. O maior acréscimo nos volumes é esperado nas exportações, com aumento de 15%. 'Uma parte desse crescimento das vendas externas é de recuperação do que foi perdido neste ano', diz o presidente. Ele acrescenta que também haverá aumento de preços dos produtos no exterior, com a valorização do euro, já que 25% das exportações da empresa são para Europa. Também a subida da cotação do milho no mercado internacional abre espaço para os aumentos de preços.
No mercado doméstico, a expectativa é de ampliar em 7% os volumes no ano que vem. Nos produtos lácteos, também voltados para o mercado interno, o acréscimo deverá ser de 12%. 'A massa de rendimentos deve ter em 2007 um crescimento equivalente ao deste ano', diz Secches. Os investimentos no aumento da capacidade de produção devem atingir no ano que vem R$460 milhões. Eles serão voltados especialmente para a unidade de Mineiros, em Goiás. Neste ano, os investimentos somaram R$ 550 milhões.