Cacau foi ponto negativo na safra de 2006
O ano de 2006 foi “tranqüilo” para o mercado mundial de cacau e “desastroso” para a lavoura brasileira, principalmente na Bahia, conforme análise feita por técnicos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em balanço da agropecuária 2006 e perspectivas para o próximo ano.
Os dados foram divulgados na semana passada e, de acordo com análise da CNA, “as condições climáticas adversas aumentaram a intensidade dos ataques da vassoura-de-bruxa”.
Com isso, a produção caiu de 144 mil toneladas em 2005 para 120 mil, em 2006, o que representa 17%.
De acordo com o documento, outros motivos para o tormento na cacauicultura brasileira foram a queda dos preços, o aumento dos custos de produção e a quebra da safra. “O efeito foi ainda mais devastador e fez com que a atividade voltasse a ser deficitária, como já observado na crise de 1999/2000. Na realidade, a situação atual do lavrador da Bahia é pior do que havia sido então”, escreve o técnico André Sanches.
O técnico da CNA critica o fato de “nenhuma medida tomada por parte do poder público para amparar a cacauicultura baiana”. De positivo, o relatório da instituição, uma das mais representativas do setor no País, traz a notícia de que a área plantada do algodão cresceu 14% na Bahia. Embora a área plantada de soja tenha caído 1,5% no Nordeste, a produção baiana conseguiu alta taxa de compromentimento na venda antecipada dos grãos.
Este ano, 41% da safra de soja já estava vendida, enquanto que em 2005 a venda foi de 28% e a média histórica é de 39%. “A retomada dos contratos de venda antecipada nesta safra é justificado pelas dificuldades de acesso ao crédito rural formal”, apontam os técnicos Luciano Carvalho e Clovis Veloso Neto.