Boi deve ficar estável neste fim de ano (Valor Econômico)

18/12/2006

Boi deve ficar estável neste fim de ano

 

 

Depois de um pequeno período de valorização, o mercado do boi gordo voltou a recuar semana passada e a tendência é de que não haja grandes alterações no curto prazo, acreditam analistas. 


A arroba do boi gordo chegou a atingir R$ 56 (para descontar Funrural) em São Paulo, conforme levantamento da Scot Consultoria, e R$ 57, de acordo com o Instituto FNP. Mas o aumento da oferta de boi gordo - principalmente no Mato Grosso do Sul - por causa do começo da safra fez as cotações caírem. Em São Paulo, voltou a R$ 54 na semana passada, segundo a Scot. Pelo levantamento da FNP, a arroba recuou para R$ 55. 


Para Fabiano Tito Rosa, da Scot, os preços do boi gordo devem "estacionar" a partir desta semana, período do ano em que normalmente as negociações entre pecuaristas e frigoríficos têm ritmo mais lento. "Passado o fim de ano, vai aumentar a oferta de boi de pasto, mas ela será mais enxuta", afirmou Tito Rosa. 


José Vicente Ferraz, do Instituto FNP, avalia que se os frigoríficos não conseguirem uma escala de abate "confortável" esta semana, os preços podem voltar a registrar alta. A partir de meados de janeiro, porém, o mercado de boi deve ficar mais pressionado em função do desaquecimento da demanda por carne, comum nessa época do ano. Duas razões para isso: menor consumo por causa do período de férias e ritmo ainda lento das exportações de carne bovina. 


Na Argentina, a Senasa, agência de inspeção animal e de alimentos, informou que as exportações de carne bovina da Argentina de janeiro a outubro deste ano caíram 23% na comparação com igual período de 2005. As vendas externas dentro da cota Hilton, de carne in natura e de produto processado totalizaram 371.065 toneladas, o equivalente a US$ 1,06 bilhão. No mesmo período de 2005, a Argentina embarcou 483.992 toneladas, com uma receita de US$ 1,11 bilhão. 


A Rússia foi o principal comprador de carne in natura da Argentina, com 144.012 toneladas. Já em carne processada, os EUA foram os principais compradores, com 16.952 toneladas. 


A retração nas exportações é reflexo das medidas tomadas pelo governo argentino para limitar as vendas externas a fim evitar aumento dos preços da carne no mercado interno e consequente impacto nos índices de inflação. (Alda do Amaral Rocha, com Dow Jones Newswires)