Ingleses criam empresa de olho no etanol brasileiro
Um grupo de investidores ingleses uniu-se para criar a Clean Energy Brazil Plc (CEB), empresa de investimentos com foco em açúcar e, sobretudo, álcool no Brasil. A empresa fez sua estréia ontem na bolsa de Londres e captou 100 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 418,3 milhões).
Em seu primeiro dia de operação, as ações da empresa - que começaram a ser cotadas a 1 libra - registraram valorização de 2%. Os papéis da empresa estão listadas no AIM (Alternative Investment Market), categoria da bolsa para empresas de menor porte.
Com os recursos captados na bolsa, a CEB pretende investir em pelo menos quatro usinas no curto e médio prazo. Uma delas já está com contrato de intenções assinado. Outros dois projetos estão em "due dilligence".
A gestora executiva da CEB é a a Temple Capital Partners, consultoria criada para administrar a nova companhia, e controlada pela Czarnikow, uma das maiores tradings de açúcar do mundo, com sede em Londres, a Agrop, empresa de consultoria agrícola de São Paulo, e a Numis Corporation, banco de investimentos de Londres com atuação na área de estruturação financeira.
O executivo Antonio Monteiro de Castro, responsável pela área de operações da British American Tobacco, foi nomeado presidente do conselho da CEB. Fazem parte da direção do conselho da nova empresa os executivos Marcelo Schunn Diniz Junqueira, sócio da Agrop, Michael Aldwyn, diretor da International Fund Marketing, fundo de investimento da Merril Lynch, e outros três executivos ingleses do mercado de capitais.
"Estamos com cerca de R$ 400 milhões para investir em açúcar e álcool no Brasil", disse Antonio Monteiro de Castro, presidente do conselho da CEB, ao Valor. A expectativa é de que a empresa adquira participação em sua primeira usina no Brasil já no início de 2007. Sem dar muitos detalhes, Castro explicou que a CEB está negociando participação acionária nesta primeira usina, localizada no centro-sul, com capacidade instalada para processar até 2 milhões de toneladas.
A expansão da CEB no Brasil será por meio de participação acionária em empresas já em operação no país e também em projetos "green field" (construção), afirmou Castro. O objetivo é ter pelo menos 50% de participação nas usinas. "O mais importante é negociar o corpo de acionistas", disse Castro.
O foco das usinas da CEB será os mercados interno e externo, tanto para álcool como para açúcar. A nova empresa não pretende fazer investimentos fora do Brasil. "Os menores custos de produção estão aqui no país", disse Marcelo Junqueira, um dos diretores do conselho da CEB. A companhia não descarta, no futuro, fazer investimentos em logística no Brasil, mas ainda não há planos concretos neste sentido.
A empresa já traçou seus planos futuros. A meta da CEB é que suas usinas atinjam até 2012 capacidade de processamento de cana de cerca de 30 milhões de toneladas por ano.
A boa demanda por álcool nos mercados doméstico e internacional está estimulando vários investimentos no Brasil. Além dos tradicionais grupos do setor sucroalcooleiro, responsáveis por mais de 70% dos atuais investimentos no país, empresas de fundos de investimentos estrangeiros estão sendo criadas para este fim. Em maio deste ano, a Infinity Bio-Energy , formada por investidores ingleses e americanos, também lançou ações em Londres com objetivo de levantar recursos para investir em álcool no Brasil de olho no mercado externo. O grupo planeja investir US$ 800 milhões no médio prazo.