Ilhéus ganha unidade produtiva de mudas de fruteiras e essências florestais (Diário Oficial da Bahia)

26/12/2006

Ilhéus ganha unidade produtiva de mudas de fruteiras e essências florestais

 

O investimento de R$ 1,035 milhão vai permitir o cultivo de 5 milhões de plantas por ano, atendendo a todo o estado

 

Para produzir mudas de fruteiras e essências florestais seguindo os mais modernos conceitos de biotecnologia, foi inaugurado ontem pelo governador Paulo Souto, na localidade de Banco do Pedro, município de Ilhéus, a Unidade de Micropropagação do Instituto Biofábrica de Cacau. Inicialmente, o espaço produzirá mudas de banana resistentes à sigatoka-negra, praga provocada por fungo que prejudica os bananais.

O Instituto Biofábrica firmou parceria com a Embrapa Mandioca e Fruticultura para a introdução de variedades resistentes através de 14 cultivares (matrizes produtivas). Fruto de investimento de R$ 1,035 milhão (incluindo construção e aquisição de equipamentos), a unidade tem capacidade para produzir 5 milhões de mudas por ano, atendendo a todo o estado.

Souto afirmou que a unidade representa mais um passo significativo na luta do Governo do Estado pela recuperação da lavoura cacaueira no sul da Bahia. "A banana é uma cultura auxiliar muito importante nessa região. Com essa unidade, estaremos garantindo mudas de qualidade, livres de doenças e de alta produtividade", ressaltou.

Devem ser cultivadas, posteriormente, mudas de abacaxi resistentes à fusariose – doença que torna o fruto impróprio para o consumo. Depois, a meta é diversificar a produção. Para o secretário da Agricultura, Pedro Barbosa, o desenvolvimento da região cacaueira depende muito da diversificação agrícola.

"Aqui, serão produzidas mudas de excepcional qualidade e de matrizes produtivas isentas de fungos e bactérias, favorecendo não apenas os produtores da região, mas também de outros municípios do estado", ressaltou Barbosa.

Com 500 metros quadrados de área, a unidade de micropropagação teve a construção viabilizada por uma parceria entre o Instituto Biofábrica de Cacau e o Estado, com a participação das secretarias da Agricultura (Seagri) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).

Toda a manipulação in vitro é acompanhada pela filtragem do ar introduzido no espaço, eliminando as partículas em suspensão e evitando o contato com fontes de contaminação. Após a conclusão do processo, as mudas são disponibilizadas aos produtores baianos a preços acessíveis.

De acordo com o engenheiro agrônomo e coordenador da unidade, Hermínio Sousa Rocha, cada meristema gera 1,5 mil pequenas mudas de banana, que ficarão prontas para os produtores após oito meses – elas passam cinco meses sob luz artificial, um mês sob luz natural e mais dois meses em fase de climatização, ou seja, integrada ao meio ambiente.

Padrão internacional.

"Aqui, os técnicos são treinados para manipular os mais diminutos tecidos vegetais, que são selecionados a partir de plantas matrizes com qualidades agronômicas superiores. Assim, quem ganha é o produtor, que adquire mudas certificadas com padrões internacionais", afirmou Rocha. "Essa unidade não deixa nada a dever a laboratórios de países como França, Israel, Estados Unidos e Japão", disse.

O diretor-geral do Instituto Biofábrica, José Carlos Macedo, explicou que a sigatoka-negra não chegou à Bahia. "O estado é considerado zona livre da doença, mas essas ações funcionam como uma forma de prevenção, para evitar o que aconteceu nos estados da região Norte e em São Paulo e Minas Gerais", explicou.

Segundo maior produtor nacional de banana (atrás apenas de São Paulo), o estado possui 70 mil hectares plantados de bananeiras. Desse total, 17 mil estão na região cacaueira. No Brasil, há 560 mil hectares plantados de banana. O país responde por uma produção anual de 6 milhões de toneladas do fruto.

Também estiveram presentes à inauguração o secretário de Infra-estrutura, Cláudio Melo, e o senador César Borges.