Preocupação com perigos vindos dos transgênicos
O potencial de risco em cinco produtos modificados (feijão, batata, mamão, algodão e soja) pesquisados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) foi um dos pontos debatidos em Salvador, há duas semanas, durante o 3º Curso de Capacitação em Análise de Risco de Plantas Geneticamente Modificadas. Contando com pesquisadores e analistas de plantas transgênicas da Embrapa, a maioria deles de unidades do Norte e Nordeste, o encontro avaliou, também, riscos sobre o ambiente e o homem.
Os analistas desses riscos apontam dois tipos de impactos possíveis: o ambiental, que pode provocar um fluxo de genes entre espécies ou a contaminação de organismos do solo, importantes na reciclagem e fixação dos nutrientes da planta. O outro tipo é o alimentar, em que os transgênicos não devem apresentar alteração da sua composição original após o cozimento, nem prejuízos ao homem.
O pesquisador André Dusi, da Embrapa Hortaliças, coordenador do evento, citou que nos Estados Unidos, Argentina e Canadá, os produtores plantam sementes transgênicas e a venda acontece normalmente. “Na Europa, a batalha é mais idelógica do que técnica.
De qualquer forma, até hoje não houve danos ao meio ambiente nem ao homem”, assegura.
De acordo com o pesquisador, no Brasil, a análise dos transgênicos é feita de maneira rigorosa e segura, pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio), formada por 27 técnicos nomeados pelo Ministério da Agricultura.
“São os maiores especialistas na área”, ressalta.
CENTRALIZADO – Para realizar o curso de captação, os organizadores buscaram um local de mais fácil acesso aos participantes das regiões.
“Salvador é um ponto de conexão de vários vôos", justificou a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), Deise Capalbo, coordenadora da Rede de Biossegurança de Organismos Geneticamente Modificados (BioSeg), responsável pela realização do encontro.
Três bolsistas de pós-graduação que possuem projetos vinculados à Embrapa também assistiram às palestras, realizadas no auditório do hotel Blue Tree Premium.
“Eles estão aptos a dar parecer sobre o uso de trangênicos”, disse André Dusi, da Embrapa Hortaliças, situada em Brasília (DF).
No curso, pesquisadores simularam a análise de risco de quatro casos: milho e algodão resistentes a insetos e soja e canola resistentes a herbicidas. Os estudos partiram de informações públicas “suficientes para liberação da pesquisa ou um controle dentro de uma estação experimental”, explicou o pesquisador André Dusi.
Um outro pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas, Alberto Vilarinhos, que estuda variedade de mamão transgênico tolerante ao vírus da mancha anelar, doença sem cura, integrou o grupo de pesquisadores presentes no curso. A doença, causada pelo vírus PRSV, provoca manchas amarelas nas folhas e enrugamento, forma estrias no caule e mata a fruta e o pé.
“EmSão Paulo, o vírus se espacolhou e a produção deixou de ser viável. Com a doença, o fruto fica feio e imprestável para comércio e exportação”, informou Denise Capalbo, acrescentando que, no Brasil, a multinacional Monsanto está autorizada a produzir sementes de algodão transgênico, que podem ser plantadas na Bahia.
Outro produto de origem transgênica consumido no País é a soja – e derivados, a exemplo de óleos refinados e queijos fabricados com enzimas produzidas por microorganismos modificados – informa a especialista em biosegurança.
Empresas como DuPont, Basf, Monsanto, Syngenta e Bayer investem no desenvolvimento de sementes ou grãos transgênicos, resistentes a pragas e a agrotóxicos.
Na opinião do coordenador do curso, o governo pode firmar parcerias com as empresas de biotecnologia, mas entende que seu papel principal é fomentar as pesquisas, por exemplo, sobre as pragas da batata-doce, produto plantado pelos pequenos agricultores.