Produtor ainda espera solução para dívidas (Gazeta Mercantil)

28/12/2006

Produtor ainda espera solução para dívidas

 

A interpretação equivocada de um voto do Conselho Monetário Nacional (CMN), publicado semana passada, que tratou de prazos para o pagamento de financiamentos agrícolas, induziu produtores de cacau do sul da Bahia a considerarem que o governo federal havia ampliado em mais dez anos o tempo concedido aos ruralistas para quitarem empréstimos usados na recuperação da lavoura de cacau, dizimada pela praga conhecida como vassoura-de-bruxa.

Em matéria publicada na edição de ontem de A TARDE, alguns produtores e dirigentes de entidades ligadas à lavoura cacaueira chegaram a comemorar o “alívio” que a medida traria para o setor. No entanto, não houve mudança significativa em relação ao refinanciamento das dívidas definida pelo CMN em 4 de outubro deste ano, por meio da Resolução 3.413.

Ao buscar esclarecer o assunto junto ao Ministério da Fazenda, produtores rurais receberam uma comunicação onde está dito que o voto do CMN apenas estendeu a data-limite para os cacauicultores interessados em participar do programa de alongamento da dívida junto ao Banco do Brasil assinem os contratos. O prazo passou do dia 29 de dezembro de 2006 para 29 de junho de 2007.

RECUPERAÇÃO – O voto também permitiu que sejam incluídos na reprogramação os empréstimos contratados entre 1° de novembro de 2002 e 30 de setembro de 2003, que fazem parte da 4ª etapa do programa de recuperação da lavoura e são referentes a clonagem e enxertia de pés de cacau.

Diante da falta de novidades em relação ao problema da lavoura cacaueira baiana, que acumula prejuízos em torno de R$ 800 milhões, os produtores continuam aguardando medidas efetivas da União e do futuro governo de Jaques Wagner para recuperar a saúde financeira do setor.