Descoberta amplia utilização dos resíduos do dendê como celulose

19/08/2013
Descoberta amplia utilização dos resíduos do dendê como celulose
 
 
 
O dendê hámuito tempo não se limita apenas às mesas dos baianos, comusos que vão da indústria de cosméticos ao biocombustível. E uma pesquisa da Embrapa Agroenergia acaba de apontar mais um tipo de utilização para o dendezeiro.Pesquisadores conseguiram purificar a celulose de cachos vazios da palma-de-óleo, popularmente conhecida como dendê.Além disso, os cientistas extraíram nanofibras (partículas microscópicas) de celulose desse material, através de processos químicos. Essa celulose pode ser utilizada para a fabricação de papel. A descoberta promete ampliar as possibilidades de uso dos resíduos de uma cultura que está emexpansão no Brasil, principalmente no Pará, o maior produtor do País, com mais de 1milhão de toneladas por ano. A Bahia fica em segundo,com 215.784 toneladas,em 2011.
 
Segundo o pesquisador da Embrapa, Leonardo Valadares, é este crescimento, motivado pelos projetos para fabricação de biocombustível, que impulsionou a pesquisa. “Como essa cadeia está crescendo, é importante utilizar todos os resíduos para que a produção de óleo de dendê e biodiesel seja sustentável”,diz.
 
A pesquisa ainda está em fase inicial e não é possível divulgar mais detalhes do processo de extração, por questões de propriedade intelectual. Ainda é preciso testar a viabilidade econômicada técnica.“Esse material dá um rendimento de celulose menor do que a madeira. Em contrapartida, a matéria-prima é residual e mais barata”, afirma, Valadares. Produtores Beneficiadores do dendê na Bahia recebem de forma positiva a pesquisa e afirmam que a novidade pode agregar valor aos resíduos da produção
do óleo de palma. Atualmente, os resíduos da planta já são completamente utilizados.
 
Geração de energia através da combustão da fibra, adubação comas buchas e a venda do farelo do palmiste para elaboração de ração animal são exemplos. Para o gerente industrial da agroindústria Oldesa, Marcos Santos,a pesquisa pode trazer soluções mais sustentáveis para os resíduos.
 
“Cada vez mais surgem utilizações mais nobres a fim de agregar novo valor ao produto e de poupar o meio-ambiente. Mas o mais importante é a valorização da cultura”,
afirma Santos.
 
Produção de biodiesel frustra expectativa de produtores
 
Considerada como principal alternativa para aumentar a participação do Nordeste na fabricação do biodiesel,a produção de dendê para este fim está frustrando as expectativas de produtores baianos. “É uma promessa que não vingou”, afirma o diretor da agroindústria O palma, Jarbas de Araújo Filho. Os produtores reclamam dos baixos preços oferecidos para o óleo bruto. “O preço hoje está R$ 2 para o quilo do óleo bruto. Em 2012, vendia-se a R$ 3,80”,completa.
 
“Nossa fábrica só consegue vender óleo para a produção de biodiesel quando a soja fica mais cara”, conta o gerente da indústria de beneficiamento Oldesa, Marcos Santos. Futuro, Apesar do cenário atual, os produtores são otimistas em relação ao futuro da produção do azeite de dendê e do óleo de palma para utilização industrial.
 
“A situação é reversível, há a tendência de melhorar porque o dólar está aumentando. É uma crise transitória”, opina Jarbas de Araújo Filho.
 
Segundo Marcos Santos, Oldesa está complanos de aumentar a produção e o melhoramento genético nos próximos anos. “Vemos o negócio do dendê com olhos de prosperidade. É o óleo do futuro e o mais consumido do
mundo”, afirma.
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