22/08/2013
Commodities Agrícolas
Realização de lucros
As cotações do cacau encerraram a quarta-feira em queda expressiva na bolsa de Nova York, pressionadas por um movimento de realização de lucros. Os contratos futuros com vencimento em dezembro recuaram 70 centavos de dólar, para US$ 2.450 a tonelada, menor patamar desde o dia 7. Segundo analistas, especuladores decidiram realizar lucros diante da previsão de chuvas no Oeste da África, onde se concentra a maior parte da produção mundial. A preocupação com o clima seco na região fez com que a commodity atingisse a maior cotação em 11 meses na sessão anterior. Nas praças de Ilhéus e Itabuna, na Bahia, a arroba da amêndoa saiu, em média, por R$ 88, ante os R$ 89 da véspera, conforme informações da Central Nacional de Produtores de Cacau.
Dólar e fundamentos
Oscilações cambiais que também tiram sustentação de outras "soft commodities" derrubaram os preços do algodão ontem na bolsa de Nova York. Os papéis para entrega em dezembro encerraram o pregão negociados a 84,24 centavos de dólar por libra-peso, em baixa de 462 pontos em relação à véspera. Mas não foi apenas o dólar que pressionou as cotações. O menor ritmo de importações por parte da China e as boas perspectivas para a produção da Índia também voltaram a deixar o espaço aberto para desvalorizações, ainda que no longo prazo a maior parte das previsões aponte para uma recuperação. No oeste baiano, a arroba da pluma saiu por R$ 70,50, em média, de acordo com informações da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).
Volatilidade elevada
Em linha com a alta volatilidade que tem marcado Chicago nos últimos dias, os preços dos grãos ontem subiram, impulsionados por uma preocupação com o clima quente e seco no Meio-Oeste dos Estados Unidos que havia perdido força na terça-feira, quando as cotações subiram. No mercado de soja, os contratos com vencimento em novembro fecharam a US$ 13,04 por bushel, um ganho de 13,50 centavos de dólar. A meteorologia prevê um volume limitado de chuvas sobre o Meio-Oeste americano na próxima semana, o que realimentou o temor com a baixa umidade de solo em áreas de Iowa, Illinois e Missouri. Em Rondonópolis (MT), a saca de 60 quilos do grão é negociada por pouco mais de R$ 60, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
"Mercado de clima"
Como a soja, o milho continua a navegar de acordo com os ventos que sopram da fase final do chamado "weather market" americano e elevam a volatilidade das cotações dos grãos na bolsa de Chicago neste período do ano, e como a soja ontem o milho caiu (ver ao lado). Os papéis para entrega em dezembro fecharam a US$ 4,8325 por bushel, em alta de 7,75 centavos em relação à véspera. Apesar de já estar menos suscetível às intempéries climáticas no Meio-Oeste americano por ser plantado antes da soja no país, o milho ainda pode perder produtividade com o tempo mais quente e seco que o normal. No Paraná, a saca de 60 quilos do grão saiu, em média, por R$ 17,95, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado.