Selo dá desconto de 10% em equipamentos
O Selo Azul, um tipo de certificado para produtores irrigantes, prevê descontos de 10% na compra de equipamentos de irrigação. A certificação, segundo informações do Ministério da Integração Nacional, será lançada no mês de dezembro.
Parece pouco, mas o desconto representa muito para os produtores. “Estamos falando de equipamentos de R$60 mil, sendo que em algumas terras é preciso de vários irrigadores. Faz uma diferença enorme, mas é preciso esperar o governo lançar o selo para depois comemorar”, declara o 1º vice-presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Celestino Zanella, apenas ele teria uma redução de custo elevada, já que tem em sua produção 30 pivôs centrais, equipamento que irriga a terra de cima para baixo. Cada unidade custa apartir de R$ 50 mil, a depender do tamanho.
Banco de dados
Além da concessão de descontos para irrigantes, o Selo Azul ainda pretende criar um banco de dados, ou seja, mapear os irrigantes distribuídos em território nacional. “Assim será mais fácil obter informações que serão fundamentais para apoiar os produtores. Sabendo a realidade de cada um é possível organizar melhor as políticas públicas” disse o secretário Nacional de Irrigação, Miguel Ivan.
Segundo ele, o selo vai fortalecer a irrigação no Brasil e dar mais oportunidades para os produtores de pequeno e médio porte, além da agricultores familiar.
Isso porque, quem tiver o Selo Azul terá acesso às taxas bancárias mais baixas, em reação ao financiamento bancário; redução do valor do seguro rural; aumento do prazo de outorga e a ampliação do horário de uso da energia com taxas mais baixas.
Com isso, o selo também promete movimentar a economia brasileira, já que prevê o aumento da produção agrícola e investimento de mais produtores rurais, devida a facilidade de crédito.De acordo com o secretário da FAO, braço da ONU para a agricultura e a alimentação,Produtores irrigantes de frutas, hortaliças, grãos, entre outros, interessados em aderir ao Selo Azul deverá obedecer a todos os aspectos legais do setor, a exemplo do cuidado com o meio ambiente, a devida gestão de pessoa e o uso adequado e mais eficiente da água. Para isso, os equipamentos usados na plantação devem funcionar de forma eficiente também, tanto para recursos hídricos quanto energéticos.
De acordo com o secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles, a ideia de criar uma certificação já estava sendo discutida em pareria com a secretaria estadual de meio ambiente.
“Temos projeto que pode complementar o Selo Azul. Instalamos oito estações meteorológicas, com custo de R$ 15 mil cada, em oito perímetros irrigados no estado, para que o produtor tenha mais controle do que está sendo consumido de água em suas terras”, disse o secretário.Conforme ele, cada agricultor deveria também ter um hidrômetro para medir a água e saber a quantidade que está sendo consumida ou se há algum vazamento. Mas existem outros fatores, como a forma de irrigação e equipamentos, que devem ser eficientes também.
Tipos de irrigação
São três os tipos de irrigação. O primeiro, e que consome mais água e energia, é a superficial, feita por meio de sulcos na terra, em que a água é bombeada até chegar na superfície e irrigar o caule. A segunda é por aspersão,seja convencional ou por meio de pivô. É uma forma de irrigação que imita a chuva e tem 70% a 80% de eficiência no uso da água e energia.
Por fim, a irrigação localizada, que é 90% eficiente, mas é a mais cara também.Entretanto, esse tipo de irrigação só funciona em plantio de frutas e hortaliças, não podendo ser usada em plantio de grãos, como milho, soja e feijão e algodão mais de 40% do aumento da produtividade agrícola mundial ocorreu em áreas irrigadas. “Hoje temos no Brasil uma área irrigada de aproximadamente 5,5 milhões de hectares, e de acordo com estimativas da Agência Nacional de Águas, temos em nosso País um potencial de áreas irrigáveis de cerca de 30 milhões de hectares, sem prejuízos para os biomas existentes”, afirma.
Compromisso
A certificação de projetos de irrigação está prevista na Política Nacional de Irrigação,na lei nº 12.787, de janeiro deste ano. Segundo Miguel Ivan, o Selo Azul é a consolidação de mais um compromisso que o Ministério da Integração Nacional tem com a sociedade brasileira. “Queremos propiciar meios para que a agricultura irrigada tenha mais produtividade e seja cada vez mais sustentável”.
Portanto, o professor de irrigação e drenagem, Delfran Batista, diz que embora o projeto seja um avanço para os agricultores, ainda falta muito investimento na irrigação brasileira. “Basta saber que cerca de 30% das áreas irrigadas nos perímetros públicos ou privados na região semiárida encontram-se salinizadas ou desativadas devido ao manejo inadequado da irrigação, por inexistência ou ineficiência dos sistemas de drenagem, além da falta de capacitação de agricultores”.