Extrativismo na cultura do pequi

02/01/2007

Extrativismo na cultura do pequi

 

Fruto do cerrado e região de gerais, o pequi é usado na culinária, nos Estados de abrangência do biomas.

Da família das cariocáceas, seus frutos são cozidos e consumidos puros, no arroz, no feijão ou na forma de licor ou óleo medicinal.

As espécies mais conhecidas são Caryocar brasiliense e Car yocar glabrum (comum na Bahia). A castanha de ambas variedades é coberta por um invólucro carregados de espinhos finos. O invólucro ainda é revestido por uma polpa amarela ou esbranquiçada, pastosa, rica em vitamina A e proteínas – esta é a parte mais consumida pelos apreciadores do pequi.

A colheita vai de dezembro a março, toda extrativista, quando moradores da zona rural se transferem com a família para o pequizal.

Eles montam barracas entre a vegetação para aproveitar melhor o tempo. Em Barreiras, cerca de 20 famílias dos povoados Alto da Bela Vista e Água Vermelha estão em plena lida, e trabalham mais de 10 horas por dia. O produto é vendido ao longo da BR-242.

O pequeno agricultor e feirante Armíndio de Jesus, 49 anos, diz que o trabalho é dividido entre todos da família. As crianças vão à chapada catar frutos maduros que caíram dos pés e os adultos trabalham na fabricação do óleo. “As dificuldades são muitas, tem dia que vendemos alguma coisa; outro, não conseguimos nada”, ressalta.

Na visão do também agricultor e vendedor de pequi Juraci Vieira Batista, 40 anos, a falta de emprego na região é responsável pela quantidade de pessoas nas margens das rodovias. “Estou sem trabalho na lavoura, então resolvi vender pequi, embora o comércio não esteja bom”, diz ele. A saca (com 150 unidades, pesando 20 kg) custa R$ 5.

O adolescente Alex de Souza, 13 anos, considera o trabalho penoso e que as vendas ajudam no orçamento, daí aguardar a temporada.

“A gente tem o serviço de colher e vender e se tivesse menos gente vendendo seria melhor, porque o lucro seria maior”, acredita ele.

No Centro de Abastecimento de Barreiras, desde o início de dezembro o cheiro forte do pequi toma conta do local. Lá, 15 unidades custam R$ 1. A feirante Isabel dos Anjos traduz a reação dos fregueses: “Tem gente que não suporta o cheiro e o gosto, mas muitos vêm de longe, todos os dias, para comprar pequi na minha mão”.

O óleo de pequi, produzido artesanalmente e voltado para a medicina natural, é vendido normalmente na cidade, enquanto o licor, mais apurado, tem marcas produzidas de forma industrial.

Diz Manoel do Pixouri Filho, 25 anos de profissão, que o óleo de pequi serve de expectorante, sendo usado, também, no tratamento de dores reumáticas, queimaduras e para fortalecer as raízes do cabelo.

A garrafa de 500 ml, com o óleo puro, é vendida a R$ 20; o litro de xarope manipulado, para tosse e gripe, custa R$ 70.

* A massa externa do pequi deve ser comida usando as mãos, jamais talheres, e raspada cuidadosamente, com os dentes, até ficar esbranquiçada, antes de os espinhos serem vistos.